Entenda como a savanização avança sobre a Amazônia, altera o clima, reduz a biodiversidade e pode comprometer a capacidade de regeneração da floresta nas próximas décadas.
A savanização é a transformação de áreas de floresta densa em formações abertas, semelhantes às savanas, o fenômeno ocorre quando a vegetação perde sua estrutura original e se torna mais baixa e fragmentada. O processo é resultado de degradação contínua e compromete a integridade do ecossistema.
Na Amazônia, a savanização está ligada principalmente ao desmatamento, às queimadas e à expansão da fronteira agrícola. O pesquisador Bernardo Monteiro Flores aponta dois vetores centrais: o “arco do desmatamento”, que avança pelas bordas do bioma, e um processo interno, impulsionado sobretudo por incêndios florestais distantes das áreas agrícolas.
As mudanças climáticas intensificam o fenômeno. O aumento da temperatura e a alteração no regime de chuvas reduzem a resiliência da floresta amazônica, tornando-a mais vulnerável à degradação. Assim, a savanização não resulta apenas da ação direta sobre a vegetação, mas de um conjunto de pressões ambientais que comprometem a estabilidade do ecossistema.
O alerta sobre a possível conversão de partes da Amazônia em áreas semelhantes ao Cerrado foi feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre eles Carlos Nobre. Estudos posteriores indicam que os impactos vão além da paisagem. A bióloga Lílian Sales descreveu a chamada “savanização faunística”, caracterizada pela substituição de espécies típicas de florestas densas por espécies adaptadas a ambientes abertos.
A mudança compromete a biodiversidade, reduz a capacidade de armazenamento de carbono e enfraquece o papel da Amazônia na regulação do clima regional e global. Além de afetar o ciclo das chuvas, a manutenção dos rios e a estabilidade do solo. Para cientistas, o avanço desse processo ameaça serviços ecossistêmicos essenciais, com reflexos na segurança hídrica, na produção de alimentos e na saúde humana.
Há ainda a preocupação com o chamado “ponto de não retorno”, limite a partir do qual os danos acumulados impediriam a regeneração natural da floresta. Um estudo recente publicado na revista Nature indica que esse ponto de inflexão pode ser alcançado até 2050, caso as pressões atuais persistam.