10 novas espécies na Amazônia surpreendentes descobertas na última década

Rãs azuis, corujas inéditas e até “novas sucuris”: novas espécies na Amazônia seguem surgindo e cada descoberta revela o tamanho do que ainda falta mapear.

Mesmo sendo o bioma tropical mais estudado do planeta, a biodiversidade amazônica continua revelando novas espécies na Amazônia todos os anos. Na última década, dezenas de plantas e animais foram descritos. Conheça algumas das espécies mais surpreendentes.

Orquídea de Tumucumaque (Lepanthes suelipinii) – 2019

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Orquídea de Tumucumaque (Lepanthes suelipinii). Foto: Divulgação

Orquídea rara e endêmica encontrada no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP). Descrita em 2019 após pesquisas de preservação, pertence ao gênero Lepanthes, pouco coletado no Brasil, e mostra que há espécies amazônicas desconhecidas até em áreas de proteção.

Corujinha-do-Xingu (Megascops stangiae) – 2021

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Corujinha-do-Xingu (Megascops stangiae). Foto: Kleiton Silva.


Pequena coruja endêmica do Pará, descrita em 2021 após revisão taxonômica. Foi separada de espécies semelhantes por diferenças genéticas e vocais. O nome científico homenageia a irmã e ambientalista Dorothy Stang, e sua área ocorre no Arco do Desmatamento.

Peixe-elétrico (Microsternarchus javieri) – 2025

Pequeno peixe-elétrico amazônico em água doce rasa, uma das novas espécies na Amazônia descritas em 2025.
Peixe-elétrico (Microsternarchus javieri). Foto: Reprodução/Acta Amazônia.

Nova espécie encontrada em 2025 em riachos do Rio Branco (RR) e da bacia do Rio Negro (AM). Identificada por anatomia, DNA e padrões de descarga elétrica. Mostra como ambientes pouco estudados ainda escondem muita diversidade.

Catita-saci (Monodelphis saci) – 2017

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Catita-saci (Monodelphis saci). Foto: A.O. Maciel


Pequeno marsupial descrito em 2017 na Amazônia brasileira (PA, MT, RO e AC). Recebeu o nome “saci” por lembrar o gorro vermelho do folclore e por ter passado despercebido pela ciência por muitos anos.

Sururina-da-serra (Tinamus resonans) – 2025

Ave inhambu em floresta densa no Acre, uma das novas espécies na Amazônia descritas em 2025.
Inhambu-serra (Tinamus resonans). Reprodução/Morais et al, Zootaxa (2025)


Ave descrita em 2025 e restrita às florestas montanhosas da Serra do Divisor (AC). Foi detectada primeiro pelo canto forte e incomum. A população é pequena e concentrada, o que reforça a importância da conservação do território.

Rã-de-vidro (Hyalinobatrachium mashpi) – 2022


A pequena rã-de-vidro foi descrita em 2022 no Equador, encontrada nas reservas Mashpi e Tayra. Mede cerca de 2 cm, tem dorso verde-limão e ventre totalmente transparente, que permite ver os órgãos internos. Foi identificada por diferenças genéticas e pelo canto agudo característico, reforçando a importância de proteger habitats ameaçados por mineração e desmatamento.

Sapo macho (A) e fêmea (B) da rã-de-vidro Hyalinobatrachium mashpi, uma das novas espécies na Amazônia, fotografados lado a lado.
Sapo macho (A) e fêmea (B) da rã-de-vidro Hyalinobatrachium mashpi, uma das novas espécies na Amazônia, fotografados lado a lado. Foto: Juan M. Guayasamin et.al.

Pupunha-branca (Bactris gasipaes kunt) – 2021

Pupunha-branca, fruto amazônico associado a novas espécies na Amazônia e agrobiodiversidade.
Pupunha-branca (Bactris gasipaes kunt). Foto: Alexandre de Moraes/UFPA


Variação rara (albina) da pupunha registrada no Pará. Além da cor branca, apresenta composição diferente: menos óleo e mais fibras e amido. A descoberta revela o potencial da agrobiodiversidade amazônica.

Sucuri-verde-do-norte (Eunectes akayima) – 2024

Sucuri-verde-do-norte (Eunectes akayima). Sucuri-verde gigante em ambiente aquático amazônico, uma das novas espécies na Amazônia reconhecidas em 2024.
Foto: Fernando Flores


Reconhecida em 2024 após análises genéticas que separaram a “sucuri-verde” em duas espécies. A akayima vive no norte da Amazônia e bacia do Orinoco, podendo passar de 6 m. É um exemplo de como novas espécies na Amazônia podem estar escondidas em plena megafauna.

Perema-do-Pará (Mesoclemmys sabiniparaensis) – 2023

Pequena tartaruga de água doce em igarapé no Pará, uma das novas espécies na Amazônia descritas em 2023.
Perema-do-pará (Mesoclemmys sabiniparaensis). Foto: Marinus Hoogmoed/divulgação


Tartaruga de água doce descrita em 2023, encontrada em igarapés do sudeste do Pará, no Arco do Desmatamento. É a menor do gênero (cerca de 15 cm) e foi identificada a partir de exemplares de coleção científica.

Rã-venenosa azul-metálica (Ranitomeya aetherea) – 2025

Pequena rã azul-metálica em floresta úmida do Amazonas, uma das novas espécies na Amazônia descritas em 2025.
Rã-venenosa azul-metálica (Ranitomeya aetherea). Foto: Reprodução, Alexander T. Mônico


Pequena rã descrita em 2025 na bacia do rio Juruá (AM). Destaca-se pelo corpo azul-claro e marcas metálicas. Foi identificada em monitoramentos ecológicos recentes, reforçando que novas espécies na Amazônia seguem surgindo mesmo hoje.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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