Mudanças climáticas: novo relatório mostra que crise hídrica pode impactar 60% do PIB do planeta

O relatório do WWF estima um custo de US$ 58 trilhões devido ao uso inadequado da água, enfatizando a degradação dos ecossistemas aquáticos e a necessidade urgente de investimentos sustentáveis, especialmente diante das mudanças climáticas agravadas pela ação humana.

O uso inadequado da água carrega consigo uma etiqueta de preço assustadora: US$ 58 trilhões. Essa conclusão é apresentada pelo estudo “O alto custo da água barata: o verdadeiro valor da água e dos ecossistemas de água doce para as pessoas e para o planeta”, lançado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) no Dia Mundial da Alimentação.

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Impacto no PIB Global e em Objetivos Sustentáveis

A importância econômica anual da água e dos ecossistemas aquáticos é avaliada como sendo equivalente a 60% do Produto Interno Bruto mundial. A contínua degradação de nossos rios, lagos, áreas úmidas e reservatórios subterrâneos não só compromete esses valores, mas também afeta esforços voltados ao clima, à conservação da natureza e ao avanço em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

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Declínio da biodiversidade aquática

Desde a década de 1970, o globo presenciou a perda de um terço de suas zonas úmidas ainda existentes, e as populações de animais aquáticos selvagens sofreram um decréscimo médio de 83%. Para ilustrar, no Brasil, a quantidade de botos cor-de-rosa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, reduziu-se em 65% no período de 1994 a 2016, conforme dados do Relatório Planeta Vivo 2022.

Ameaças crescentes e seus efeitos

A degradação ecológica, combinada com a insegurança relacionada à água e aos alimentos, tende a piorar devido à diminuição de recursos hídricos intensificada pelas alterações climáticas. Incidentes como as recentes mortes de golfinhos no lago Tefé-AM, onde aproximadamente 140 animais foram perdidos, podem se tornar mais frequentes. Da mesma forma, o número de indivíduos lidando com a falta de água e alimento pode crescer, à medida que rios e lagos desaparecem, a contaminação se amplia e recursos alimentares, como a pesca em água doce, se reduzem.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já sinalizou que a interferência humana nas mudanças climáticas tem intensificado o efeito das secas em diversas áreas do mundo. Com o aumento da temperatura global, os riscos associados à água são amplificados. Para proteger a saúde de nossos rios e lagos, é crucial implementar ações conservacionistas, como reduzir o desmatamento e combater o garimpo ilegal que aflige a Amazônia.

Visão da liderança do WWF

“A água é fundamental para o nosso futuro coletivo”, declarou Kirsten Schuijt, diretora-geral do WWF Internacional. “O estudo do WWF ilumina a importância inestimável da água em nossas vidas. É imperativo que governos, corporações e setores financeiros intensifiquem seus investimentos na proteção e recuperação de nossos ecossistemas aquáticos, visando um futuro onde a água seja acessível a todos”, complementou Schuijt.

Economia, ecologia e valor da Água

O estudo apresenta que os retornos econômicos diretos da água, incluindo seu uso para consumo doméstico, agricultura irrigada e indústrias, totalizam pelo menos US$ 7,5 trilhões anualmente. Surpreendentemente, benefícios não tão evidentes, como a purificação da água, melhoria da saúde do solo, retenção de carbono e proteção contra eventos extremos, como inundações e secas, são avaliados em cerca de US$ 50 trilhões por ano – um valor sete vezes superior.

Recomendações e advertências do WWF

No combate à crescente crise hídrica, o WWF advoga por um aumento significativo nos investimentos em infraestrutura hídrica sustentável por parte de governos, empresas e entidades financeiras. No entanto, o órgão ressalta que abordagens desatualizadas, focadas apenas em expandir a infraestrutura existente sem considerar a restauração de ecossistemas degradados, são insuficientes para resolver a crise hídrica, particularmente no contexto de mudanças climáticas aceleradas.

Com informações da WWF

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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