MPF investiga venda de mercúrio e equipamentos de garimpo em plataformas digitais

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito para investigar a comercialização de mercúrio líquido, um componente crucial nos garimpos ilegais, em plataformas de comércio eletrônico, incluindo OLX e Mercado Livre.

A iniciativa surge em resposta a estratégias empregadas por atividades ilícitas para evadir fiscalização e sanções judiciais, expondo uma ousadia sem limites frente aos órgãos de controle.

Segundo investigações da InfoAmazonia, foram identificados anúncios de venda de mercúrio, equipamentos e balsas de garimpo nessas plataformas, atuantes no território brasileiro. Notavelmente, na OLX, encontram-se embarcações listadas com valores variando de R$ 25 mil a R$ 400 mil. Um desses anúncios detalhava a oferta de uma balsa para garimpo no Rio Madeira, localizado em Humaitá, Amazonas – uma região anteriormente destacada pela presença marcante de balsas garimpeiras.

No dia 15 de fevereiro deste ano, o MPF do Amazonas instaurou um inquérito civil específico para apurar a venda de mercúrio na OLX. Uma semana depois, procedeu com a abertura de uma nova investigação direcionada ao Mercado Livre pelo mesmo motivo. As plataformas, que possuem regulamentos contra a negociação de certos produtos, parecem falhar em sua aplicação. Tais políticas incluem a proibição de venda de “substâncias químicas perigosas” e produtos que careçam de homologação oficial.

MERCÚRIO
Reprodução/OLX

Além dos riscos ambientais e sociais imediatos, o garimpo ilegal ameaça regiões vitais como a Terra Indígena Yanomami e o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá. Este último tem sofrido desmatamento significativo devido à mineração ilegal, conforme estudos do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ). O relatório aponta para a dificuldade das agências reguladoras em combater eficazmente essas práticas, dada a falta de recursos e suporte logístico necessário para ações de campo contra o garimpo ilegal.

Esta série de investigações e reportagens destaca não apenas a complexidade da luta contra o garimpo ilegal no Brasil, mas também a urgência de uma ação coordenada entre órgãos governamentais, plataformas de comércio eletrônico e a sociedade civil para proteger as riquezas naturais e comunidades indígenas afetadas.

*Com informações CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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