Mapa do Caminho avança nos bastidores: Entenda o que esperar até a COP31

A proposta brasileira do Mapa do Caminho não entrou no acordo da COP30, mas segue presente no debate climático global e deve moldar discussões sobre justiça energética e abandono dos fósseis até a COP31, na Turquia.

Apresentado como uma estratégia para impulsionar a transição energética global, o chamado “Mapa do Caminho” foi a principal proposta do Brasil na COP30, realizada em Belém. Embora não tenha sido incluído no documento final da conferência, o instrumento ganhou força no debate climático internacional e deve continuar em pauta até a COP31, marcada para 2026, na Turquia.

A proposta brasileira busca criar um marco global que permita a cada país definir seu próprio roteiro de transição energética, respeitando suas condições econômicas, sociais e tecnológicas. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o “Mapa do Caminho será semelhante às NDCs”, as Contribuições Nacionalmente Determinadas previstas no Acordo de Paris.

“Precisamos pensar necessidades econômicas, ecológicas e sociais, porque não temos como adaptar infinitamente, nem como transitar sem considerar realidades diferentes”, disse a ministra.

O Mapa do Caminho surgiu como resposta ao maior impasse da agenda climática: A falta de consenso sobre como abandonar os combustíveis fósseis de forma justa e viável. Países com diferentes níveis de desenvolvimento e dependência do petróleo têm posições divergentes sobre os prazos e responsabilidades nessa transição.

Apesar de ter recebido apoio de mais de 80 países, o Mapa enfrentou resistência de grandes produtores e consumidores de petróleo, como Arábia Saudita e China. Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, o tema dividiu o plenário quase ao meio e delegações contrárias alegaram falta de tempo para avaliar a proposta em profundidade.

Plenária de encerramento da COP30 em Belém. Conferência terminou sem acordo sobre combustíveis fósseis, frustrando ambientalistas e especialistas.
Foto: Flickr/Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

Agora, o texto brasileiro seguirá circulando como referência técnica dentro da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC). A expectativa é de que seja debatido ao longo do próximo ano e, possivelmente, formalizado na COP31.

O governo brasileiro trata o resultado como um avanço diplomático, sinalizando um protagonismo na construção de uma transição energética global com base na equidade. “Só o Brasil tem o seu Mapa do Caminho, mas desejamos que todos possam ter a base para fazer esses esforços”, afirmou Marina Silva.

Marina Silva discursa na COP30
Durante a COP30, a ministra Marina Silva defendeu o Mapa do Caminho como instrumento para guiar a transição energética global de forma justa e equitativa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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