Crise humanitária: Terra Yanomami herda legado sombrio na despedida do governo

Por conta do garimpo, que ameaça os servidores do Ministério da Saúde que atendem aos indígenas que vivem em Terra Yanomami, o serviço público de saúde foi interrompido. Sem assistência médica, as crianças sofrem com a falta de comida e de remédios básicos.

A intensificação do garimpo na Terra Yanomami é resultado direto da irresponsabilidade do governo Bolsonaro com a situação dos povos indígenas e com o meio ambiente na Amazônia. Mas os clarões na floresta contam apenas um pedaço desse drama – e, nem de longe, eles oferecem as imagens mais pesadas.

A Associação Urihi Yanomami divulgou imagens de crianças e idosos que sofrem com desnutrição severa dentro da reserva. Os indígenas vivem na comunidade Kataroa, em Alto Alegre (RR). Por conta do garimpo, que ameaça os servidores do Ministério da Saúde que atendem aos indígenas, o serviço público de saúde foi interrompido. Sem assistência médica, as crianças Yanomami sofrem com a falta de comida e de remédios básicos.

“O agravo da invasão garimpeira, doenças infecciosas e a desassistência do DSEI [Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami] aumentam a insegurança da população, resultando em níveis catastróficos de desnutrição”, afirmou a Urihi em um post no Instagramg1 e Mídia Ninja também divulgaram as imagens.

Terra Yanomami
foto: Bruno Kelly

Saúde dos Yanomami ameaçada

Além do garimpo, a corrupção também ameaça a saúde dos Yanomami. No começo de dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) desbarataram um esquema criminoso que desviou recursos que deveriam ser destinados para a compra de medicamentos para as aldeias indígenas do território.

Em tempo 1: A Defensoria Pública da União recomendou ao IBGE a contratação, com a máxima urgência, de um serviço de táxi aéreo para transportar os recenseadores até as comunidades indígenas na Terra Yanomami. Como destacou Míriam Leitão n’O Globo, mais de 50% da população Yanomami corre risco de não ser recenseada, pois o governo federal não autorizou a cessão de helicópteros oficiais para o IBGE.

Em tempo 2: O filho do empresário Rodrigo Martins de Mello, acusado pela PF de liderar um grupo criminoso responsável pelo garimpo ilegal na Terra Yanomami, utilizou uma licença de exploração suspensa para requerer sua libertação pela Justiça. O documento é o mesmo investigado pelo MPF por suspeita de “lavagem” de minério; a licença cita uma área fora da reserva, mas sem mineração aparente. A notícia é da Folha.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A quem interessa fragilizar a Zona Franca de Manaus?

"A Zona Franca de Manaus não surgiu para criar...

Amazônia Inteligente quer transformar a região em protagonista da economia da IA

Entrevista com Ítalo Reis - Amazônia Inteligente Enquanto o mundo...

A floresta, o vazio e os economistas

”Importar modelos econômicos convencionais sem adaptações profundas é um...

Como o Idesam transforma compensação de carbono em reflorestamento amazônico

Idesam conecta empresas a projetos de reflorestamento na Amazônia para compensar emissões de carbono e fortalecer a floresta em pé.

A velha obsessão contra a Amazônia e a ZFM

Ao atacar novamente a Zona Franca de Manaus, setores...