Joaquim Leite, futuro ex-ministro do meio ambiente, usa seu primeiro discurso na COP27 para atacar governo Lula

Marcado por uma gestão sem grande relevância, Leite – que substituiu o ex-ministro Ricardo Salles depois de escândalos de corrupção e uma gestão desastrosa no Meio Ambiente – teve fala sem relevante repercussão na COP

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Joaquim Leite, fez nesta terça-feira (15) seu primeiro discurso na Conferência do Clima da ONU, realizada no Egito este ano. Na fala, de poucos minutos, ele exortou o que seriam os resultados positivos do Brasil na produção de energia limpa e aproveitou para criticar indiretamente o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

“Trouxemos para a COP do Clima o Brasil das energias verdes, com matriz elétrica com 85% renovável, recorde de instalação de eólicas e solar, devido à política de incentivo, um exemplo para o mundo”, disse.

Leite também destacou as parcerias que o Governo Federal fez com o setor privado e atacou a política dos governos de Lula e Dilma no combate ao desmatamento, quando medidas mais contundentes de comando e controle foram tomadas.

Leia também “Ponderações e fatos sobre o desmatamento na Amazônia nos governos de Lula e Bolsonaro”

“Desde 2019, trabalhamos junto com o setor privado para encontrar soluções climáticas lucrativas, para as empresas, as pessoas e a natureza, invertendo a lógica dos governos anteriores que só agiam para reduzir, multar e culpar”.

Mais adiante, fez uma referência aos programas realizados pelo Governo de esquerda com organizações não governamentais, o que, segundo ele, teria sido um erro.

“Diferente dos governos anteriores, onde o foco era enviar recursos somente para ONGs, nos últimos anos implementamos políticas junto com o setor privado, para dar escala a uma nova economia verde, com o objetivo de neutralidade até 2050. O mundo não será salvo pelos caridosos, mas sim pelos eficientes”, disse.

A fala de Joaquim Leite não teve repercussão expressiva no ambiente da Conferência, nem mesmo entre a delegação brasileira. O fracasso da política ambiental da gestão Bolsonaro, que tornou o atual governo totalmente desacreditado perante a comunidade internacional, aliada ao fato de que Lula estará na COP nos próximos dias, colaboraram para esta reação entre os participantes. 

A presença da esposa de Lula, Janja, ao espaço da Convenção, gerou muito mais rebuliço do que a fala do representante oficial do governo brasileiro.

Para ler o discurso de Joaquim Leite na íntegra, clique aqui.

Esta matéria foi produzida como parte do Climate Change Media Partnership 2022, uma bolsa de jornalismo promovida pela Internews´ Earth Journalism Network e pelo Stanley Center for Peace and Security.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Futebol, miragens e a alma brasileira

“O país que transformou um esporte em identidade nacional...

Duas rodas, milhões de oportunidades

“As motocicletas produzidas em Manaus transportam muito mais que...

O Brasil que a Amazônia e São Paulo podem construir juntos

Mais importante que a disputa judicial da Zona Franca é a oportunidade de reconstruir os vínculos entre os polos econômicos do país, conectando indústria, biodiversidade, tecnologia e inteligência nacional em favor de um futuro comum.