CNI aponta que a precariedade da infraestrutura na Região Norte afeta a Amazônia, eleva custos logísticos e agrava desigualdades no desenvolvimento regional.
Um novo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a precariedade da infraestrutura na Região Norte continua sendo um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico e social da Amazônia. Segundo o estudo Panorama da Infraestrutura – Região Norte, 74% dos industriais avaliam as condições locais como ruins, regulares ou péssimas — número expressivamente maior que a média nacional, de 45%.
A pesquisa analisou os setores de transporte, energia, saneamento e telecomunicações, destacando deficiências estruturais que elevam os custos logísticos, dificultam o escoamento da produção e reduzem a atratividade para investimentos. A malha rodoviária, por exemplo, foi considerada a pior do país, com 90% de avaliação negativa por parte dos empresários. Hidrovias mal sinalizadas e ferrovias quase inexistentes completam o cenário de ineficiência logística.
Além disso, mais da metade dos contratos de obras na região estão paralisados, conforme análise do Tribunal de Contas da União, com destaque negativo para projetos de transporte e saneamento. A cobertura de esgoto atinge apenas 23% da população, enquanto o acesso à água tratada é de 61%, os piores índices do país. Esses dados revelam um retrato alarmante da infraestrutura na Região Norte, com reflexos diretos na qualidade de vida da população e na competitividade industrial.
O estudo elenca obras prioritárias para reverter o quadro, como a pavimentação da BR-319, a ampliação da Hidrovia Araguaia-Tocantins, a implantação da Ferrogrão e a conclusão da ponte sobre o Rio Xingu. Além de citar a conexão recente de Roraima ao Sistema Interligado Nacional como exemplo positivo de integração energética.
A CNI defende que investimentos em infraestrutura na Região Norte são cruciais não apenas para o crescimento industrial, mas também para reduzir desigualdades regionais e permitir que a Amazônia exerça seu papel estratégico no desenvolvimento sustentável do Brasil.