Estudo mostra que universalizar o saneamento na Amazônia pode reduzir doenças, recuperar rios, impulsionar o turismo e gerar desenvolvimento sustentável até 2040.
Um estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a EX ANTE Consultoria, revela que a universalização do saneamento na Amazônia pode trazer ganhos socioeconômicos de R$ 330 bilhões até 2040. A região, que reúne mais de 26 milhões de pessoas em nove estados, enfrenta graves déficits: em 2022, 35,6% da população não tinha acesso a água tratada, 82,4% não estava ligada à rede de esgoto e apenas 16,8% do volume gerado recebia tratamento. Como consequência, rios e córregos recebem diariamente 2,3 trilhões de litros de esgoto não tratado.
De acordo com o relatório, os benefícios da expansão incluem redução de gastos com saúde pública, aumento da produtividade, valorização imobiliária e crescimento do turismo. Entre 2024 e 2040, os ganhos totais podem chegar a R$ 516,6 bilhões, dos quais R$ 273,7 bilhões vêm de investimentos diretos e R$ 242,9 bilhões da mitigação de perdas sociais. Os custos estimados para o período são de R$ 186,5 bilhões, resultando em um saldo positivo de R$ 330,1 bilhões.
Apenas na área da saúde, a economia pode alcançar R$ 2,7 bilhões com menos internações e afastamentos por doenças gastrointestinais e respiratórias. Já o aumento de renda do trabalho deve somar R$ 192,9 bilhões, enquanto o setor imobiliário pode registrar ganhos de R$ 25,1 bilhões e o turismo, R$ 22,1 bilhões. Esses dados reforçam como o saneamento na Amazônia se conecta diretamente ao desenvolvimento econômico e social da região.
Para Luana Pretto, presidente do Trata Brasil, o saneamento na Amazônia é peça-chave para a conservação da floresta e a melhoria da qualidade de vida. “Alcançar o acesso pleno dos serviços básicos nessa região mudará a vida de milhões de pessoas, garantindo saúde, dignidade e o desenvolvimento próspero das futuras gerações”, afirma.