Editorial BAA | O imposto invisível do clima: quem vai governar contra o prejuízo?

O Brasil já paga, todos os dias, um imposto que não foi votado no Congresso, não vem impresso na nota fiscal e não respeita teto de gasto: o imposto do desastre. Ele aparece quando falta energia, quando o seguro encarece, quando a comida sobe, quando a cidade alaga, quando o comércio fecha, quando a safra quebra, quando a vida vira evacuação.

E a pergunta que separa candidatos em 2026 não é “quem gosta mais de meio ambiente”. É outra, bem mais incômoda — e econômica:

Quem se compromete a encarar a crise climática como política de Estado e como agenda econômica central — com metas, orçamento e entregas — para reduzir o custo real que já corrói o país? Qual é a proposta, com prazo e fonte de financiamento?

IMPOSTO INVISIVEL
© GUSTAVO VARA/PREFEITURA DE PELOTAS

Os números que circulam no imaginário do medo (e em tantas manchetes que viraram rotina) não são retórica: são contabilidade da tragédia.

E há um agravante silencioso: a conta cresce mais rápido do que a proteção. Um estudo citado pela imprensa econômica aponta que, em grandes eventos recentes, apenas uma fração pequena das perdas estava segurada, o que empurra o custo para famílias, municípios e orçamento público.  

O padrão é conhecido: o desastre acontece, a imagem choca, o governo corre, o dinheiro sai tarde, a obra fica pela metade, a prevenção vira rodapé e a memória vira poeira. Até o próximo evento extremo.

Isso não é falta de diagnóstico. É falta de vontade política com lastro, isto é, compromisso que sobreviva ao calendário eleitoral.

E aqui o BAA diz com todas as letras: governar sem política climática robusta virou uma forma de negligência econômica. Quem promete crescimento, mas não apresenta plano de adaptação e resiliência, está prometendo prosperidade em terreno alagadiço.

Você vai governar para reduzir o “imposto do desastre” que já custa ao Brasil 1,3% do PIB ao ano e já drenou centenas de bilhões em perdas? Em quanto tempo? Com quais metas? Com qual orçamento? Com quais instrumentos? E quem responde se não entregar?  

Sem essas respostas, “compromisso climático” vira slogan. E slogan não segura encosta, não enterra fio, não amplia drenagem, não protege subestação, não reordena ocupação de risco, não salva comércio de fechar as portas.

O país não precisa de mais discurso; precisa de governança. Eis um checklist de compromissos mínimos que qualquer candidato sério deveria assumir publicamente — com cronograma:

Quem tratar essa agenda como “tema de nicho” estará, na prática, assinando a continuidade do prejuízo — e terceirizando a dor para a população, os municípios e os pequenos negócios.

O Brasil precisa de um próximo governo que entenda o óbvio: a crise climática é a maior política econômica invisível do país. E invisível só para quem ainda consegue ignorar.

O BAA vai insistir: quem se compromete a encarar este cenário no próximo governo — e qual é a proposta?

Porque o imposto do desastre já está sendo cobrado. A pergunta é: vai continuar sendo pago com vidas, apagões, inflação e reconstrução eterna — ou com planejamento, prevenção e Estado competente?

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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