Abraciclo 50 anos: setor de Duas Rodas fecha 2025 com recordes e projeta alta em 2026

“Abraciclo 50 anos: na ZFM, não é teoria — é chão de fábrica virando mobilidade que cabe no bolso; e o recorde não é euforia, é recado: quando a logística falha e o custo sobe, o Brasil sente, e empreender na Amazônia é também proteger a floresta e promover sua gente”

Setor sediado majoritariamente na Zona Franca de Manaus (ZFM) encerra o ano com 2,9 milhões de unidades no varejo, faturamento de R$ 41,6 bilhões e 1,9 milhão de motos produzidas. Para 2026, a projeção é voltar a superar 2 milhões de unidades fabricadas — mas com alertas sobre conflitos internacionais, rotas logísticas e a transição da reforma tributária.  

No ano em que completa 50 anos, a Abraciclo apresentou os resultados do setor de Duas Rodas em 2025, destacando desempenho recorde no mercado e sinais de ampliação da capacidade produtiva — movimento relevante por se tratar de um segmento concentrado no Polo Industrial de Manaus (PIM), principal base industrial do setor no país.  

De acordo com os dados divulgados em coletiva, o setor fechou 2025 com 2,9 milhões de unidades vendidas no varejo, alta de 17,1% sobre 2024 (1,8 milhão, segundo a série citada), além de R$ 41,6 bilhões em faturamento (+23%) e 1,9 milhão de motocicletas produzidas (+13,3%).  

  • Varejo (setor Duas Rodas): 2,9 milhões de unidades — recorde da série histórica, segundo a entidade.  
  • Faturamento: R$ 41,6 bilhões (jan–dez/2025) — +23% sobre 2024.  
  • Produção de motocicletas: 1,9 milhão — +13,3% em relação a 2024; melhor resultado desde 2018, segundo a comparação apresentada.  
  • Empregos diretos no PIM: 20,6 mil e capacidade instalada informada de 2 milhões de motocicletas/ano e 500 mil bicicletas/ano.  

O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que o setor projeta voltar a operar acima de 2 milhões de unidades produzidas em 2026 (citado como 2,07 milhões), além de 45 mil unidades exportadas e varejo de 2,3 milhões de unidades.  

No segmento de bicicletas, a entidade projeta 350 mil unidades produzidas em 2026 (alta de 4,3% sobre 2025, com 335,5 mil), com expectativa de reforço em modelos elétricos.  

O crescimento do setor não é apenas um indicador industrial. Ele funciona como um retrato da vida prática no Brasil:

  • mobilidade urbana (a motocicleta como alternativa de deslocamento em cidades congestionadas);
  • economia doméstica (custo de uso e manutenção como elemento decisivo);
  • uso profissional (trabalho por aplicativo, entregas e serviços).

A Abraciclo apontou justamente essa “demanda constante para todas as regiões”, associada aos atributos de economia e mobilidade urbana, como sustentação do ciclo recente.  

Na apresentação, Marcos Bento chamou atenção para riscos externos que podem pressionar a logística do PIM, citando tanto tarifas comerciais quanto eventos recentes que afetaram rotas internacionais.  

Entre os exemplos, ele mencionou o fechamento temporário do espaço aéreo do Irã na semana anterior — um episódio que, de fato, provocou cancelamentos e desvios de voos e foi noticiado por agências internacionais.  

Outro ponto citado foi o “problema enfrentado no Canal do Panamá em 2025”, associado a interferência política e militar. Independentemente da formulação, 2025 foi marcado por disputas jurídicas e geopolíticas em torno de portos estratégicos ligados ao Canal, em um contexto de rivalidade entre grandes potências e debate sobre controle de infraestrutura crítica.  

No front interno, o setor também apontou atenção às mudanças trazidas pela reforma tributária, cuja fase de entrada em vigor/ajustes operacionais foi situada a partir de 1º de janeiro de 2026, com CBS e IBS e um período inicial com foco em obrigações acessórias e adaptação de sistemas. Há comunicados oficiais sobre esse marco e orientações conjuntas envolvendo a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS.  

O balanço da Abraciclo reforça três mensagens estratégicas:

  1. A ZFM não é “periférica” — ela é infraestrutura produtiva do Brasil real.Recordes no varejo e produção significam emprego, renda e capilaridade nacional — com base industrial amazônica.  
  2. Competitividade passa a depender ainda mais de logística e previsibilidade global.Quando rotas aéreas e marítimas entram em zona de risco, o “custo Manaus” tende a subir — e o setor explicitou essa preocupação.  
  3. A transição tributária vira parte do planejamento industrial.Preço competitivo, eficiência e escala continuam sendo o coração do modelo — mas, agora, com o país redesenhando a forma de tributar consumo e exigir obrigações acessórias. 

Portanto. quando a Abraciclo fala em 20,6 mil empregos diretos no PIM e capacidade de 2 milhões de motos + 500 mil bicicletas/ano, não está falando só de linha de montagem: está falando de densidade social. 

A ZFM, aqui, não é tese: é chão de fábrica conectado a delivery, a trabalho, a interiorização da mobilidade, a microeconomias que dependem de uma prestação que caiba no bolso.E é por isso que o dado do recorde não deve ser lido como euforia, mas como aviso:se a logística engasga, o Brasil urbano sente; se o custo sobe, o Brasil popular sangra; se a política tributária erra a mão, a competitividade vira pó. Este é o orgulho de empreender na Amazônia e ajudar a proteger sua floresta e promover sua gente. 

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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