Ilha de Santa Rosa acirra tensão na tríplice fronteira e provoca deslocamento de forças militares na região. Tensão se intensificou após Peru criar o distrito de Santa Rosa de Loreto, em julho, e disputar a ilha no rio Amazonas
A disputa entre Colômbia e Peru por uma ilha no rio Amazonas, localizada na tríplice fronteira com o Brasil, teve definições militares nesta semana. A crise se intensificou após o Peru criar, em julho, o distrito de Santa Rosa de Loreto, que inclui a ilha surgida a partir de sedimentação no leito do rio Amazonas.

O governo colombiano alega que o território não consta no tratado de fronteira assinado há quase um século e defende que sua destinação deve ser negociada. Em protesto contra declarações do presidente colombiano Gustavo Petro, o governo peruano enviou militares à ilha e hasteou bandeiras no local.
A Colômbia reforçou o efetivo em Letícia, cidade fronteiriça que fica praticamente em frente à ilha, e acusou o Peru de violar o tratado de fronteira ao se apropriar da área. A tensão aumentou com relatos de sobrevoo de aviões colombianos sobre espaço aéreo peruano.

O impasse tem impacto estratégico: projeções indicam que, até 2030, o curso do rio Amazonas poderá fluir apenas para o lado peruano, deixando Letícia sem acesso direto ao rio. Isso reduziria a porção de território colombiano na região.
O Peru afirma exercer soberania sobre a ilha há mais de um século e cita decisão de 1929 que atribuiu a área a seu território. Já a Colômbia argumenta que o território surgiu após a assinatura do tratado e precisa ser incluído em novo acordo.
O episódio ocorre em meio a relações diplomáticas estremecidas desde 2022, quando Petro criticou a destituição do então presidente peruano Pedro Castillo e retirou a embaixada diplomática colombiana de Lima. Desde então, os países mantêm apenas encarregados de negócios em suas representações.

