Decisão da AGU não afeta postura do IBAMA sobre licenciamento na Foz do Amazonas

A batalha ambiental e governamental na foz do Amazonas ganhou mais um capítulo esta semana. A Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, esclareceram que a Advocacia-Geral da União (AGU) não influenciará o processo de licenciamento para o poço de petróleo que a Petrobras deseja perfurar na região.

Decisão da AGU não afeta postura do IBAMA

Em audiência na Câmara dos Deputados na última quarta-feira, Rodrigo Agostinho afirmou que o parecer da AGU desvinculando a exigência da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) do licenciamento não alterará o ritmo de trabalho nem a fila de licenças em análise pelo IBAMA. O presidente do órgão reiterou que não há prazo para a conclusão da nova análise do pedido da Petrobras.

“Avaliações técnicas rigorosas são indispensáveis. Quanto mais dados tivermos, melhor para realizar uma avaliação de qualidade”, disse Agostinho. Ele acrescentou que o órgão tem uma percepção de “quanto mais dados melhor” para fazer uma avaliação eficaz dos empreendimentos.

IBAMA
Infográfico: Rodolfo Almeida/SUMAÚMA

Ministra questiona prioridades da Petrobras

Marina Silva, por sua vez, foi direta ao afirmar que não cabe ao IBAMA “furar fila” de licenciamentos, independentemente do parecer da AGU. Segundo a ministra, a decisão sobre quais projetos devem ser priorizados cabe única e exclusivamente à empresa interessada, no caso, a Petrobras.

“A prioridade para licenciamento de projetos na bacia Potiguar, segundo indicações da própria Petrobras, sugere uma clara definição de prioridades por parte da petroleira”, disse Marina Silva.

O discurso do presidente Lula, que por um lado incentiva o sonho do petróleo na foz do Amazonas e por outro defende 100% de energia limpa, intensifica o dilema do governo em conciliar desenvolvimento econômico com a proteção ambiental.

A Petrobras é a empresa com mais licenças emitidas pelo IBAMA nos últimos dez anos, com um total de 173, e atualmente possui outros 110 processos em análise. Mas quando se trata da delicada área ambiental da foz do Amazonas, o órgão promete não fazer concessões.

“A decisão deve ser baseada em dados sólidos e em um bom planejamento. Instrumentos como a AAAS podem fornecer dados concretos para uma decisão mais informada”, enfatizou Rodrigo Agostinho.

O desenrolar deste processo permanece em observação rigorosa, tanto por autoridades governamentais quanto por ambientalistas e o público em geral, evidenciando o equilíbrio delicado entre desenvolvimento industrial e conservação ambiental no Brasil.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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