Ibama emite licença prévia para reconstrução da BR-319, no Amazonas

Anúncio de reconstrução ocorre no mesmo dia em que pesquisa eleitoral apresenta cenário desfavorável ao presidente. Rodovia abre caminho para desmatar parte mais preservada da floresta amazônica

Na esteira de mais uma pesquisa eleitoral desfavorável, o governo federal anunciou na noite desta quinta-feira (28) que o Ibama emitiu a licença prévia para a reconstrução do trecho do meio da BR-319, a parte mais preservada da estrada. A obra tem grande apelo eleitoral e irá recuperar um trecho de 400 km hoje tomado pela floresta, fazendo a rodovia ligar Manaus a Porto Velho. A licença, assinada pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim, prevê a construção de três guaritas para fazer o monitoramento e fiscalização da área.  

A interligação rodoviária da capital amazonense com a de Rondônia é uma das principais promessas do governo Jair Bolsonaro para o estado e tem forte apelo eleitoral, tanto dele quanto de lideranças políticas locais. Segundo a última pesquisa do Datafolha, Bolsonaro e Lula seguem tecnicamente empatados na região Norte (41% para Lula e 39% para Bolsonaro).

Ibama
Eduardo Bim está a frente do Ibama

Em tom de campanha, o presidente da República comemorou a licença no Twitter: “Os brasileiros já haviam se acostumado com carros e caminhões atolando na BR-319, que liga Porto Velho-RO a Manaus-AM. Esse tempo, felizmente, está chegando ao fim”, disse.

A licença prévia sugere a criação de uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável para garantir o usufruto “sustentável e exclusivo dos povos Mura e Munduruku, que tradicionalmente já habitam a região do Lago Capanã”, que serão impactados pela rodovia (Leia a licença prévia, na íntegra).  

A BR-319 foi oficialmente inaugurada em 1976, permanecendo com tráfego constante até 1988. Com elevados custos de manutenção vistos como não compensatórios por conta da sua baixa utilização, a estrada foi abandonada pelo governo no final da década de 1980.

Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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