Transição energética cria novo mapa na geopolítica da energia mundial

A corrida por tecnologia limpa e minerais estratégicos impulsiona a geopolítica da energia, com reflexos diretos no Brasil e na economia global.

A transição energética em curso está reconfigurando a geopolítica mundial. Mais do que a produção de petróleo, o poder passa a ser determinado pelo domínio de tecnologias, cadeias industriais e minerais estratégicos, elementos centrais na geopolítica da energia contemporânea. Nesse novo cenário, países e blocos econômicos assumem papéis distintos, combinando energia tradicional e inovação em combustíveis verdes para manter relevância global.

Os Estados Unidos continuam como um dos principais produtores de petróleo e gás, utilizando essa vantagem para sustentar alianças e disputar liderança tecnológica com a China. Em 2026, o país lançou a iniciativa “FORGE” para criar uma zona de comércio preferencial de minerais críticos, na tentativa de isolar o domínio chinês. 

Já a China consolidou uma posição estratégica ao controlar etapas essenciais do processamento de refinamento de minerais críticos. O país participa em média de 70% do mercado de refino dessas matérias-primas estratégicas, o que lhe confere poder de influência sobre cadeias produtivas inteiras. 

Apesar da expansão constante de petróleo e gás natural, a China é hoje líder na produção de energia eólica e solar. O país sozinho concentra mais de 1.500 GW de capacidade de energia limpa, o correspondente à soma das próximas seis maiores potências em energia renovável – Brasil, Austrália, Índia, Estados Unidos, Espanha e Filipinas. 

Fazenda solar na China com painéis fotovoltaicos em larga escala, destacando o papel do país na geopolítica da energia e na expansão das energias renováveis.
Fazenda solar na China. Foto: Andrea Verdelli/Bloomberg

A Europa segue uma trajetória distinta, apostando na regulação e na inovação. O bloco tem avançado na implementação de mecanismos que penalizam produtos intensivos em carbono, pressionando parceiros comerciais a se adaptarem. Paralelamente, investe na criação de uma infraestrutura robusta para o hidrogênio verde e na expansão da energia eólica offshore, especialmente no Mar do Norte. Outro foco estratégico é a economia circular, com políticas voltadas à reciclagem de metais críticos para reduzir a dependência externa.

No Oriente Médio, a estratégia combina continuidade e adaptação. A região intensifica investimentos em diversificação, incluindo gás natural, petroquímica e projetos voltados ao hidrogênio, mirando novos mercados, sobretudo na Europa. Um grande projeto de diversificação de energia é o campo de gás Jafurah, o maior campo de gás de xisto do Oriente Médio. Nesse processo, o país traz contradições em sua adaptação energética.

O Brasil surge como um ator singular no novo mapa energético. O país reúne características raras: é grande produtor de petróleo, tem vastas reservas de minerais críticos, possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável e lidera a produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em posição estratégica na corrida por combustíveis de baixo carbono, como o SAF (combustível sustentável de aviação) e a amônia verde, com expectativas promissoras na geopolítica da energia mundial.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Idesam transforma 20 anos de atuação na Amazônia em manual para equipes de campo

Idesam reúne 20 anos de atuação na Amazônia em manual para fortalecer diálogo, escuta ativa e segurança jurídica com comunidades.

Desmatamento na Amazônia cai 35% e atinge menor área em 20 anos 

Desmatamento na Amazônia atinge a menor área para junho em 20 anos, com queda de 35% nos alertas registrados pelo Inpe.

El Niño tem 81% de chance de chegar a nível “muito forte” em 2026

El Niño pode atingir intensidade muito forte no fim de 2026, alerta NOAA, elevando riscos de calor, tempestades e mudanças nas chuvas.