Para zerar gases poluentes, petroleiras precisariam reflorestar 5 vezes o tamanho da Amazônia

O dado reforça a urgência de reduzir as emissões de gases poluentes por meio da transição energética, o que inclui a diminuição do uso e exploração de combustíveis fósseis

Uma pesquisa recente publicada na Communications Earth & Environment revelou que, para compensar as emissões de gases de efeito estufa associadas às reservas das 200 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo, seria necessário plantar uma floresta maior do que toda a América do Norte — uma meta considerada praticamente inviável.

O estudo mostra o tamanho do desafio que representa a compensação total das emissões ligadas a essas reservas, principalmente de gás carbônico (CO₂), um dos principais responsáveis pelo efeito estufa e pelo aquecimento global.

A pesquisa reforça o alerta feito durante a última COP, realizada nos Emirados Árabes, sobre a urgência de reduzir as emissões por meio da transição energética, o que inclui a diminuição do uso de combustíveis fósseis e a consequente redução das reservas exploradas por essas empresas.

Seria necessário plantar uma área de cinco vezes o tamanho da Amazônia brasileira para compensar emissões de gases poluentes.
Seria necessário plantar uma área de cinco vezes o tamanho da Amazônia brasileira para compensar emissões de gases poluentes — Foto: Dado Galdieri

Como foi realizada a pesquisa

A pesquisa foi liderada por Alain Naef, pesquisador e especialista em economia verde da ESSEC Business School, da França. Segundo matéria do g1, ela foi conduzida a partir da análise do tamanho das reservas de combustíveis fósseis pertencentes às 200 maiores empresas do setor em todo o mundo. Com base nesses dados, os pesquisadores estimaram a quantidade de carbono que seria emitida caso todas essas reservas fossem utilizadas até o ano de 2050.

Em seguida, calcularam a área necessária de reflorestamento que seria exigida para compensar essas emissões. O que eles descobriram é que para compensar essas emissões, seria preciso reflorestar uma área superior a 24,75 milhões de quilômetros quadrados.

Compensação de emissões não resolve o problema

A compensação da pegada de carbono tem se tornado uma prática comum entre empresas do setor de combustíveis fósseis. Por meio dela, as indústrias financiam iniciativas de reflorestamento, com o objetivo de neutralizar parte do carbono que emitem. As árvores plantadas nesses projetos absorvem dióxido de carbono da atmosfera durante o crescimento, permitindo que as empresas certifiquem uma compensação parcial de suas emissões.

Busca-se promover uma transição para uma economia verde, investindo em descarbonização, de maneira mais inclusiva e abrangente
Busca-se promover uma transição para uma economia verde, de baixo carbono, de maneira mais inclusiva e abrangente | Foto: Freepik

Entretanto, o tamanho estimado pelo estudo da área necessária para compensar as emissões de carbono das 200 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo seria maior do que toda a América do Norte, que inclui países como Estados Unidos, Canadá e México. Isso é o equivalente a três vezes o território brasileiro, que possui 8,51 milhões de km² e cinco vezes o tamanho da Amazônia no Brasil, com seus 5 milhões de km².

Segundo os pesquisadores, reflorestar uma área dessa proporção exigiria o fim de extensas regiões de terras agrícolas e até de cidades inteiras, o que torna a proposta completamente inviável na prática. Em outras palavras, a pesquisa sugere que seria economicamente mais rentável para as empresas interromper a extração de fósseis do que extraí-los e, posteriormente, tentar compensar as emissões.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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