Concentração de gases de efeito estufa (GEE) cresce e bate novo recorde

Níveis elevados de gases de efeito estufa em 2023, como CO2, CH4 e N2O, foram influenciados pelo aumento da queima de combustíveis fósseis e pelos incêndios florestais, aponta relatório

Os gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global, seguem aumentando significativamente sua concentração na atmosfera. É o que aponta um novo estudo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciado nesta segunda-feira (28), cujos resultados indicam que a concentração de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) atingiram níveis sem precedentes no último ano.

Os níveis elevados, segundo a agência climática da ONU, foram influenciados pelo aumento da queima de combustíveis fósseis e pelos incêndios florestais. Em 2023, as concentrações médias globais de dióxido de carbono (CO2) ultrapassaram em mais de 151% os níveis da era pré-industrial, atingindo 420 partes por milhão (ppm), e o gás está se acumulando mais rápido na atmosfera do que em qualquer outro período histórico. Responsável por cerca de 64% do efeito de aquecimento no clima, o CO2 provém principalmente da queima de combustíveis fósseis. 

Já outro gás de efeito estufa, o metano, atingiu 1.934 partes por bilhão (ppb) e o óxido nitroso 336 ppb.”Estamos claramente fora do caminho para cumprir o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C e de buscar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Esses números vão além de estatísticas; cada parte por milhão e cada fração de grau de aumento da temperatura têm um impacto real em nossas vidas e no planeta”, pontuou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

Nível de aquecimento gerado pelos gases de efeito estufa reforça impactos das mudanças climáticas e reforça necessidade de redobrar esforços para conter aumento da temperatura global
Nível de aquecimento reforça impactos das mudanças climáticas e reforça necessidade de redobrar esforços para conter aumento da temperatura global | Imagem: Freepik

O que impulsiona o aumento nos gases de efeito estufa?

Este crescimento nas concentrações de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera está sendo impulsionado por fatores naturais e antropogênicos, como as grandes queimadas e a diminuição na capacidade de absorção de carbono pelas florestas. Paralelamente, as emissões de combustíveis fósseis permanecem elevadas, agravando o cenário, que também passa por variações anuais influenciadas pelo fenômeno El Niño.

O óxido nitroso (N₂O), outro entre os gases de efeito estufa com alto potencial de aquecimento global e um dos principais responsáveis pela degradação da camada de ozônio, também possui emissões vindas de fontes tanto naturais, quanto humanas, como o uso intensivo de fertilizantes na agricultura. De 2022 para 2023, o aumento nas concentrações de N₂O foi menor do que o recorde anterior, indicando uma possível desaceleração em sua elevação, embora ainda mereça atenção.

A persistência de altos níveis de CO₂ é preocupante, pois, mesmo com reduções bruscas nas emissões, o CO₂ permanece na atmosfera por décadas, sustentando o aquecimento global. Assim, o cenário indica urgência na redução de emissões para mitigar futuros impactos.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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