Garimpo ilegal: a contaminação por mercúrio impacta diretamente na saúde dos indígenas

O garimpo tornou o mercúrio uma substância bastante comum no entorno das áreas exploradas, principalmente aquelas no coração da Amazônia. Ele impregna o solo, contamina os peixes e animais, e intoxica quem vive nas proximidades e se alimenta com comida feita nessas áreas. Para o organismo humano, o resultado disso é uma intoxicação generalizada que afeta diversos órgãos e ataca diretamente o sistema nervoso central.

Folha assinalou alguns dos problemas causados pelo mercúrio nas comunidades Yanomamis cercadas pelo garimpo ilegal.

O tratamento é bastante difícil e mesmo a retirada do metal do organismo, por meio de medicação que o elimina pela urina, não garante melhora na condição de vida do paciente.

A situação é ainda mais dramática quando outros impactos do garimpo na saúde dos indígenas são levados em conta. A presença dos invasores provoca surtos de malária entre as aldeias, o que piorou nos últimos anos pela intensificação da atividade ilegal e pela escassez de medicamentos que deveriam ser prioritários para esse tratamento, mas que foram utilizados por razões políticas para alimentar o negacionismo antivacina – sim, trata-se da famosa cloroquina.

Garimpo
Indígena Yanomami severamente desnutrido. © URIHI – Associação Yanomami

Segundo a Folha, a cloroquina e a primaquina, utilizadas tradicionalmente no tratamento da malária, chegaram a faltar por três meses no Hospital Geral de Roraima no auge da pandemia de COVID-19, por interrupção no fornecimento pelo governo federal. Nessa mesma época, o então presidente Bolsonaro defendia o uso da cloroquina para tratar COVID e chegou a acionar o Exército para fabricar o medicamento – que, por sua vez, admite ter deixado 83 mil comprimidos vencerem. Infelizmente, ao que parece, nenhum desses comprimidos chegou àqueles que efetivamente precisavam dele.

Em tempo 1: A Defensoria Pública do Amazonas pediu ao Ministério da Saúde que inclua os Yanomamis que vivem no estado nas ações de apoio à saúde indígena realizadas na vizinha Roraima. Ainda que vivam fora da Terra Yanomami, representam quase 40% de todo o povo. A notícia é do g1.

Em tempo 2: O Conselho Indigenista de Roraima (CIR) denunciou ao Ministério Público Federal casos de violência e exploração sexual de crianças e adolescentes indígenas por garimpeiros na Terra Yanomami. De acordo com a entidade, trinta meninas e adolescentes indígenas estão grávidas de garimpeiros. Além disso, o grupo também denunciou episódios de adoção ilegal de crianças Yanomami retiradas da reserva. A TV Cultura deu mais informações.

Em tempo 3: Uma proposta do presidente Lula para criar um plano global de saúde indígena na Organização Mundial da Saúde (OMS) ganhou aliados improváveis. Segundo Jamil Chade no UOL, os governos dos Estados Unidos e da Venezuela manifestaram apoio à proposta. Além deles, países como Argentina, Canadá, Colômbia e México também apoiam a medida.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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