A gangorra do desmame dos Incentivos Fiscais da ZFM, segundo General Mourão

_“ há um desafio simples e técnico que se pode fazer às indústrias incentivadas do Polo Industrial de Manaus: quem fica se houver a BR-319 asfaltada e até duplicada, mais 2 portos privados e mais um aeroporto, porém sem os incentivos fiscais?”

Juarez Baldoino da Costa
_____________________

Na transmissão de 24-08-2020 pelo Youtube do CIEAM – Centro da Indústria do Estado do Amazonas, sobre a indústria do Amazonas, o convidado e vice-presidente da república general Hamilton Mourão, entre vários temas, mencionou a “gangorra do desmame fiscal”, expressão que define a sua visão de que, a medida em que a melhoria da infraestrutura do Amazonas avance e diminua o custo Amazonas, é natural que os incentivos fiscais sejam diminuídos proporcionalmente, tendendo a zero num futuro hipotético. Esta visão do general é compartilhada também por várias pessoas, e especialmente pelo ministro Paulo Guedes.

O raciocínio econômico estaria correto, e é o esperado normalmente nos projetos de incentivos fiscais pelo mundo, MENOS PARA O PIM DA ZFM.

A razão da implantação da ZFM não foi a falta de infraestrutura, mas sim a distância dos mercados consumidores (DL 288/67). Isto quer dizer que se houver duas rodovias BR-319, mais 2 portos e mais um aeroporto, mas não houver os incentivos fiscais de isenção de IPI e de redução do Imposto de Importação, do PIS, da COFINS e do ICMS, provavelmente não haverá motivo econômico para a permanência das indústrias do polo industrial em Manaus, mesmo com a melhor infraestrutura possível.

97% da produção do PIM é destinada para áreas fora da ZFM, e os componentes vêm todos de fora da ZFM e muitos do exterior. Mesmo os componentes fabricados em Manaus para atender as indústrias montadoras, têm suas matérias primas vindas de fora também.

A logística nunca impediu a produção do PIM, tanto que o recorde de seu faturamento foi em 2014, sem a BR 319 e sem aeroporto, e atingiu US 41 bilhões.

WhatsApp Image 2020 08 22 at 22.00.25 1
Juarez Baldoino da Costa possui Mestrado em Sociedade e Cultura da Amazônia (UFAM); MBA em Finanças Empresariais (FGV ); Especialização em Perícia Econômica para o setor judiciário (CORECON AM)

Se hoje a LG ou a Moto Honda forem perguntadas a indicar apenas uma de duas alternativas: 1- repetir o total das encomendas no montante do recorde de 2014, ou: 2- optarem pela BR-319 asfaltada mas com as encomendas minguadas deste ano ou do ano passado, certamente vão preferir vender mais.

Quanto ao “desmame” mencionado pelo general Mourão, há um desafio simples e técnico que se pode fazer às indústrias incentivadas do Polo Industrial de Manaus: quem fica se houver a BR-319 asfaltada e até duplicada, mais 2 portos privados e mais um aeroporto, porém sem os incentivos fiscais?
O mundo ideal, obviamente, é dispor de toda a infraestrutura necessária e manter todos os incentivos fiscais, sem desmame. Precisamos apenas convencer o general, o ministro Paulo Guedes e a nós mesmos, que é o que desejamos.
As novas matrizes econômicas, para serem de fato “novas”, não deveriam ter qualquer incentivo fiscal; caso contrário seriam apenas a mera continuidade da atual sistemática de incentivos fiscais, e que começariam com projetos a serem aprovados pelo CODAM, pela SUFRAMA e pela SUDAM. Onde está a novidade?

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Duas rodas, floresta em pé e o valor oculto da Amazônia

“Quando um entregador em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba...

CODAM da Bioeconomia e da Inovação Territorial

Entre a floresta, a ciência e a indústria, o...

O CODAM, as Startups e os Caminhos de Redução das Desigualdades Regionais

A expansão industrial continua a movimentar investimentos e empregos...

Estudo revela que fumaça das queimadas gera custo anual de R$ 17,6 milhões ao SUS

Fumaça das queimadas eleva internações e gera custo anual de R$ 17,6 milhões ao SUS na Amazônia Legal e no Cerrado.

Combate ao desmatamento e incêndios terá R$ 337 milhões para Ibama e ICMBio

Governo destina R$ 337 milhões ao combate ao desmatamento, incêndios florestais e fiscalização ambiental pelo Ibama e ICMBio.