“É tempo de fazer do Amazonas um exemplo nacional de como a floresta em pé, a indústria moderna e o futuro de nossos jovens podem caminhar juntos, fecundos, robustos, e todos nós, felizes e confiantes”
O momento exige mais do que diagnósticos — exige alma, sabedoria e mangas arregaçadas. O Amazonas precisa parar de figurar nos piores indicadores sociais do país e passar a ser reconhecido como território de soluções, não apenas de problemas.
Nossa juventude, especialmente no interior, está sendo abandonada entre o desemprego, o desalento e a ameaça do crime organizado. A isso não se responde com promessas — mas com políticas estruturantes, justiça intergeracional e uma nova forma de aplicar os recursos públicos.
O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas tem se preparado para esse novo ciclo. Estamos qualificando nossa atuação com inteligência artificial, métodos científicos avançados e foco em produtividade, para que os recursos oriundos da arrecadação tributária — especialmente aqueles alimentados pelo setor industrial — sejam devolvidos à sociedade de forma eficaz, eficiente e estratégica.
E não se trata de pouca coisa. Somente nos seis primeiros meses de 2025, mais de R$ 1,9 bilhão foi destinado ao FTI, UEA e FMPES, ou seja, recursos pagos pela indústria para o Fundo de Turismo e interiorização do desenvolvimento, para a Universidade do Estado do Amazonas e para Fundo para as Micro e pequenas empresas, com crescimento real de 22% em relação a 2024. Desse total, R$ 1,24 bilhão vieram do FTI, que tem como missão induzir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais.
Respostas estruturantes para uma juventude deixada para trás
Como presidente do TCE-AM, recomendo que o Estado do Amazonas, em parceria com a indústria, e suas demandas de recursos humanos inovadores, o setor educacional e as comunidades locais, adote um conjunto de projetos estratégicos voltados para a juventude. Assim, eles não apenas vão combater a pobreza e o aliciamento — mas reorganizam o pacto federativo a partir do chão amazônico, com racionalidade, tecnologia e justiça social.
1. Formação e Trabalho de Mãos Dadas
Inspirado no modelo asiático, este programa permitiria que os recursos pagos pelas empresas do Polo Industrial de Manaus cofinanciassem cursos técnicos integrados à prática profissional, absorvendo jovens ainda durante o processo de formação.
2. Parques Tecnológicos nas Calhas de Rio
Criar núcleos industriais-tecnológicos adaptados às vocações de cada região: bioeconomia no Juruá, energia limpa no Alto Solimões, piscicultura e logística verde no Madeira. Tecnologia cronológica conectada à cultura do território.
3. Integração Operacional do FTI, FMPES e UEA
É preciso um planejamento estratégico conjunto para aplicar os mais de R$ 5 bilhões anuais previstos a partir de 2027 com racionalidade, eficiência e foco em resultados.
4. Conselho dos Jovens do Amazonas
Incluir jovens urbanos, indígenas e ribeirinhos na formulação de políticas públicas. Nada sobre a juventude sem a juventude.
5. Bolsa de Oportunidade para não ser Engolido pelo Tráfico
Uma política pública preventiva, financiada com recursos do FTI, que apoia jovens vulneráveis com bolsa e formação prática, evitando que sejam cooptados por redes criminosas.
Justiça fiscal e justiça social
Não podemos aceitar que a indústria da Zona Franca de Manaus — responsável por 47% de toda a arrecadação de ICMS em 2025 — continue sendo acusada por alguns setores da imprensa sudestina de “rombo fiscal”. A indústria do Amazonas não rompe, devolve. E com superávit social.
Cabe ao Estado transformar essa arrecadação crescente em qualificação técnica, infraestrutura regional, novas tecnologias e alternativas ao desmatamento. O Tribunal está vigilante — mas também propositivo. Porque o futuro exige mais que controle: exige projetos com alma, orçamento com propósito e investimento com retorno social.
É tempo de fazer do Amazonas um exemplo nacional de como a floresta em pé, a indústria moderna e a juventude viva podem caminhar juntas, fecundas, robustas, e todos nós, felizes e confiantes.