Às vésperas da COP30, pesquisa Datafolha revela pressão popular contra nova fronteira petrolífera na Foz do Amazonas, alvo de disputa entre governo e sociedade.
Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela organização Ekō, revelou que 61% dos entrevistados são contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, região com alto potencial petrolífero, mas marcada por diversos riscos ambientais e sociais. O levantamento ouviu 2.005 pessoas entre os dias 8 e 9 de setembro, às vésperas da COP30, que ocorrerá em novembro em Belém (PA).
A oposição é ainda maior entre os jovens de até 24 anos: 73% rejeitam a abertura de uma nova fronteira petrolífera na costa do Amapá, onde a Petrobras pretende perfurar um poço exploratório em águas profundas. O projeto ainda aguarda liberação do Ibama, que solicitou ajustes após a realização de um simulado de emergência. Segundo a Petrobras, cerca de R$ 180 milhões já foram gastos para manter o navio-sonda posicionado na Foz do Amazonas enquanto aguarda o parecer final.

Mesmo sem citação direta à Petrobras nas perguntas da pesquisa, o levantamento expõe a crescente pressão popular contra novos empreendimentos fósseis na região amazônica. Apesar disso, o governo federal manteve o interesse estratégico na área. Em junho, 19 blocos exploratórios da Bacia da Foz do Amazonas foram arrematados por empresas como ExxonMobil, Chevron e a própria Petrobras.
Para a Ekō, os resultados da pesquisa reforçam a expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assuma compromissos mais contundentes com a proteção climática. A entidade critica a postura do governo de permitir que empresas decidam o destino de áreas ambientalmente sensíveis e cobra ações condizentes com as promessas climáticas feitas pelo país.

Outros dados do levantamento indicam ampla adesão à agenda ambiental. 77% apoiam a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030, embora apenas 17% acreditem que o governo conseguirá cumprir esse objetivo. Além disso, 60% disseram já sentir impactos negativos das mudanças climáticas em suas vidas e 81% defendem maior proteção às comunidades vulneráveis diante da crise climática.

