MPF pede veto à exploração de petróleo na Foz do Amazonas após falhas da Petrobras

Procuradores alertam que lacunas no estudo ambiental da Petrobras comprometem proteção da biodiversidade, segurança climática e diálogo com comunidades e recomendam que Ibama negue licenciamento para exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negue a licença ambiental solicitada pela Petrobras para a exploração de petróleo na Foz do Amazonas,  especificamente a perfuração do Bloco 59. O parecer aponta falhas técnicas graves nos estudos apresentados pela Petrobras, lacunas em medidas de mitigação e riscos diretos para comunidades tradicionais da região, além de ameaças às metas brasileiras de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Mapa com os Estados das Bacias da Margem Equatorial, Petrobras pretende iniciar exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Mapa da Bacia da Foz do Amazonas. Foto: Divulgação/G1.

Segundo o MPF, o Estudo de Impacto Ambiental não detalha aspectos logísticos essenciais, como o consumo de combustível de embarcações de apoio, o transporte aéreo de equipes e o deslocamento terrestre de resíduos. Além disso, ações listadas como mitigatórias — como manutenção de equipamentos — foram classificadas apenas como deveres básicos da companhia. Outro ponto crítico é a defasagem nos cálculos de emissões, que consideram um navio-sonda substituído, comprometendo a confiabilidade dos dados.

Imagem de uma sonda de perfuração marítima em operação no oceano, com estruturas metálicas e navios de apoio ao redor, representando o tipo de equipamento usado pela Petrobras na Margem Equatorial.
Sonda de perfuração. Foto: Canva.

Os procuradores também defenderam que a eventual autorização para a exploração de petróleo na Foz do Amazonas seja condicionada à criação de um Plano de Compensação da Atividade Pesqueira (PCAP) robusto, além de ajustes no Plano de Comunicação Social, garantindo diálogo efetivo com comunidades impactadas. O plano de resgate de fauna também foi reprovado pelo Ibama, que solicitou sua reapresentação.

Apesar das ressalvas, a Petrobras afirma ter entregue, na última sexta-feira (26), as adequações exigidas pelo órgão ambiental. A empresa mantém a expectativa de obter a licença até o fim de outubro, o que abriria caminho para o início da exploração de petróleo na Foz do Amazonas ainda este ano.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Mudanças climáticas podem reduzir qualidade nutricional da soja, diz estudo

Mudanças climáticas podem aumentar a produção de soja, mas reduzir proteína e amido, afetando a qualidade nutricional do grão.

Desmatamento na Mata Atlântica recua 40% e atinge menor marca histórica

Desmatamento na Mata Atlântica cai ao menor nível em 40 anos, mas perdas seguem concentradas em cinco estados e ainda pressionam o bioma.

Eleições na Amazônia 2026: O saldo ambiental ambíguo no Amazonas

Wilson Lima deixa saldo ambíguo no Amazonas. Apesar do avanço da bioeconomia, o mandato foi marcado por conflitos socioambientais.