Fenômeno El Niño vai afetar a economia mundial

Após quatro anos, o El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico na altura da linha do Equador, voltou a ocorrer no início deste mês e tem 56% de chances de ser forte, segundo os meteorologistas. Combinado com a aceleração do aquecimento global, deve levar a um recorde de temperaturas máximas.

“O El Niño e as mudanças climáticas são tratados como elementos separados, mas um reforça o outro. Num contexto de aquecimento global, os efeitos do El Niño serão amplificados, e é por isso que a gente espera impactos sobre toda a sociedade brasileira”, explica o professor do Instituto de Economia da UFRJ Cadu Young, em entrevista ao Estadão.

No Brasil, o fenômeno acaba causando secas na região do Norte e Nordeste e maior volume de chuvas na região Sul, lembra a Revista Fórum.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que a crise climática pode gerar danos econômicos de US$ 84 trilhões neste século, mesmo que as promessas de corte de emissões de gases do efeito estufa sejam cumpridas. Somente com o El Niño de 2023, um estudo recente de pesquisadores do Dartmouth College, de New Hampshire (EUA), estima que o fenômeno pode custar até US$ 3,4 trilhões para a economia global nos próximos cinco anos, informa a BBC.

Os prejuízos listados pela OMM seriam oriundos da perda de safras por causa de secas extraordinárias e pela escalada de doenças tropicais. O que afeta diretamente o Brasil. “Temos hoje uma ocupação agrícola, em grande parte do território nacional, que depende muito de um regime adequado de chuvas. Por isso, uma alteração desse regime de chuvas trará consequências sobre essa produção”, reforça Young.

El Niño

Um segmento agrícola que já acendeu o sinal de alerta é o sucroalcooleiro. A safra 2023/24 de cana teve um início promissor no Centro-Sul, com canaviais beneficiados pelas chuvas do último verão e recuperação na moagem. Mas a chegada do El Niño já assusta pelos possíveis efeitos que o fenômeno pode trazer para a colheita, relata o Valor.

Nadiara Pereira, meteorologista do Climatempo, reitera que o El Niño costuma aumentar as chuvas no Sul. 

“E a tendência é que essa condição mais chuvosa também se estenda para algumas áreas entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, algumas das principais áreas produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul, no início da primavera, e isso deve impactar o período final de corte e moagem”, detalha.Os efeitos do El Niño associado à crise climática também foram noticiados por UOLExameg1 e Época Negócios.

Texto publicado CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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