Na contramão da Petrobras, projeto de lei propõe freio total à exploração de petróleo na Amazônia

O projeto surge como resposta direta aos esforços recentes do Ministério de Minas e Energia para viabilizar a exploração de petróleo na Margem Equatorial, especialmente na área polêmica da Foz do Amazonas

Foi apresentada no Congresso na última quarta-feira (16) um projeto de lei que busca proibir a concessão de novos blocos de exploração de petróleo e gás na Amazônia. A proposta, de autoria do deputado federal Ivan Valente (PSol-SP), também determina a recuperação ambiental das áreas já impactadas por essas atividades.

O projeto surge como resposta direta aos esforços recentes do Ministério de Minas e Energia para viabilizar a exploração de petróleo na Margem Equatorial, especialmente na área da Foz do Amazonas — uma iniciativa que, segundo o deputado, contraria os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, como os firmados no Acordo de Paris e nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).

“O Brasil não pode seguir abrindo novas frentes de exploração de combustíveis fósseis justamente na Amazônia, um dos territórios mais estratégicos para o equilíbrio climático do planeta”, afirma ele.

Na contramão da Petrobras, projeto de lei propõe freio total à exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Na contramão da Petrobras, projeto de lei propõe freio total à exploração de petróleo na Margem Equatorial. | Infográfico: Rodolfo Almeida/SUMAÚMA

Além da proibição, a proposta também institui um Plano de Transição Justa, com prazos para o encerramento das atividades já existentes, requalificação de trabalhadores do setor e incentivos à economia sustentável e às energias renováveis, com objetivo de estimular um modelo de desenvolvimento mais alinhado à justiça climática e à proteção dos ecossistemas amazônicos.

Exploração polêmica

No mesmo dia em que foi apresentado o projeto de lei que visa barrar a expansão da exploração de petróleo na Amazônia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reafirmou o compromisso da estatal com a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Durante sua fala, ela demonstrou otimismo quanto à obtenção do licenciamento ambiental definitivo por parte do Ibama, necessário para iniciar a perfuração do primeiro poço na região.

A Petrobras segue aguardando a autorização final, e Magda destacou estar confiante na liberação do processo, mantendo o foco da empresa nos planos de expansão exploratória na Foz do Amazonas. “Sou otimista. Entregamos tudo que o Ibama desenhou como necessário. O órgão ambiental do Amapá já licenciou. E agora precisamos da fiscalização do Ibama”, apontou.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard | Foto: Rossana Fraga – Divulgação BNDES

Estudos internos da Petrobras indicam que o bloco que a estatal tenta licenciamento ambiental para exploração de petróleo na Margem Equatorial tem potencial de ter 5,6 bilhões de barris de óleo. Entretanto, a licença ainda é vista com maus olhos por ambientalistas, dado que a região é considerada uma das mais sensíveis do planeta em termos socioambientais.

A questão tem sido motivo de debate interno no próprio governo brasileiro. Enquanto a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia veem com bons olhos a pesquisa e possível exploração sustentável na área, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima mostra resistência. 

refinaria duque de caxias reduc foto Andre Motta de Souza
Esferas de armazenamento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) da Refinaria Duque de Caxias – REDUC – foto: André Motta de Souza
Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

O custo climático e ambiental da inteligência artificial

Crescimento da IA pressiona a crise climática, amplia o uso de fósseis e eleva as emissões de carbono em escala global.

A Amazônia entre duas economias: a floresta em pé e a floresta nas sombras

A economia da floresta em pé é, por definição, uma economia de prazo longo. Ela exige investimento contínuo, qualificação, logística estável, pesquisa, financiamento paciente e, sobretudo, capacidade de fazer a prosperidade chegar aos rios, às estradas e aos municípios distantes — onde o custo de produzir legalmente ainda é alto demais para muita gente.

Terceiro setor acelera adoção de IA, mas ainda enfrenta desigualdades

Essa iniciativa dialoga com uma discussão cada vez mais...