Expansão do baru na indústria reforça bioeconomia e conservação do Cerrado

Com alto valor nutricional e potencial de gerar até R$ 40 mil por hectare, o baru ganha espaço na indústria, fortalece a bioeconomia, contribui para a conservação do Cerrado e gera renda para pequenos produtores.

Nativo do Cerrado brasileiro, o baru vem ganhando espaço na bioeconomia por sua versatilidade, alto valor nutricional e potencial de geração de renda em sistemas sustentáveis. Conhecido como castanha de baru,  ele é, na verdade, a semente de um fruto rico em proteínas, fibras, minerais e antioxidantes. 

Essas características têm despertado o interesse das indústrias de alimentos, bioativos e nutrição animal. Empresas apostam na comercialização da castanha torrada e no desenvolvimento de produtos como óleo e farinha, com investimentos no cultivo da espécie em parceria com pequenos produtores.

Imagem da árvore do baru. Espécie está ameaçada de extinção pelo avanço da agricultura sobre o Cerrado. Foto: Helenice Gonçalves/Embrapa Cerrados.
Árvore do baru, que pode chegar a 25 metros de altura, está ameaçada de extinção devido ao avanço da agricultura sobre o Cerrado. Foto: Helenice Gonçalves/Embrapa Cerrados.

Além do uso alimentar, a árvore do baru contribui para a pecuária sustentável: a copa da árvore oferece sombra ao rebanho e promove o bem-estar animal, enquanto suas raízes favorecem a infiltração de água e a fixação de nitrogênio no solo. Uma única árvore pode render até 150 kg de frutos ao ano, gerando cerca de R$ 400 por planta, o que equivale a R$ 40 mil por hectare.

Pesquisas da Universidade Federal do Piauí apontam ainda que a polpa do baru, que representa 95% do fruto, pode substituir o milho em dietas de ruminantes, fortalecendo seu uso integral na cadeia produtiva. A expansão do cultivo é estratégica para a preservação do Cerrado, a espécie está ameaçada de extinção devido ao avanço da agricultura sobre o bioma e as comunidades locais que dele dependem. 

Imagem de mãos segurando a castanha do baru, essencial para impulsionar a bioeconomia e conservar o bioma do Cerrado. Foto: Camila Araujo/ ISPN.
A castanha do baru tem despertado o interesse de indústrias por seu alto valor nutricional e versatilidade. Foto: Camila Araujo/ ISPN.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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