Menos famosa que o açaí, castanha de baru é tesouro do Cerrado

A castanha de baru, é rica em proteínas, fibras, antioxidantes e gorduras saudáveis, o que a torna uma aliada da segurança alimentar e da saúde

O baruzeiro, espécie nativa do Cerrado e pertencente à família das leguminosas, é uma espécie de grande relevância ecológica, econômica e nutricional, embora ainda pouco conhecida e explorada. Menos conhecido que o pequi ou o açaí, seu fruto, a castanha de baru, é tão rico quanto em proteínas, fibras, antioxidantes e gorduras saudáveis, o que o torna um aliado da segurança alimentar e da saúde. A árvore ainda fornece madeira de boa qualidade, e praticamente todas as suas partes são aproveitáveis pelas comunidades agroextrativistas, que têm no baru uma importante fonte de renda.

Mesmo com essas qualidades, o baruzeiro é muitas vezes confundido com uma palmeira e segue com potencial ainda subexplorado. Além disso, a cadeia do baru é complexa e regiões produtoras frequentemente estão desconectadas, carecem de investimentos e infraestrutura, dificultando pesquisas, mapeamentos e seu desenvolvimento.

Usina de Beneficiamento de Castanha do Brasil da ASSOAB ( Assossiação dos Agropecuários de Baruri) em Beruri, Amazonas. Foto: Bruno Kelly.
Usina de Beneficiamento de Castanha do Brasil da ASSOAB ( Assossiação dos Agropecuários de Baruri) em Beruri, Amazonas. Foto: Bruno Kelly.

Como uma espécie perene, o baruzeiro exige tempo para apresentar resultados significativos em seu cultivo e manejo, o que torna essencial o investimento em planejamento de longo prazo. Universidades e centros de pesquisa têm se dedicado a integrar a castanha de baru em sistemas produtivos sustentáveis, como os sistemas agroflorestais (SAFs) e a substituição do eucalipto por baru em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), práticas que conciliam produtividade com conservação ambiental.

Castanha de baru como fonte de energia limpa

Esse fruto já tem sido usado até mesmo como fonte de energia limpa por alguns projetos. A empresa de biodiesel Binatural, por exemplo, deu um passo inovador ao utilizar a casca da castanha de baru como combustível em suas caldeiras, substituindo a lenha convencional. Com um poder calorífico elevado de 4.700 kcal/kg — superior ao do eucalipto —, essa biomassa não apenas melhora a eficiência energética da produção, como também oferece uma solução ambiental e socialmente responsável. Anteriormente descartada em aterros, a casca de baru agora representa uma nova fonte de renda para produtores e contribui para a redução de passivos ambientais.

Menos famosa que o açaí, castanha de baru é tesouro do Cerrado.
Menos famosa que o açaí, castanha de baru é tesouro do Cerrado | Foto: Divulgação | CERES

Para fortalecer e consolidar a cadeia produtiva da castanha de baru, é indispensável a formulação e implementação de políticas públicas eficazes. Isso inclui o financiamento de pesquisas científicas, o mapeamento de áreas nativas, a proteção contra o desmatamento e a criação de estratégias para incentivar o plantio e a valorização do baru.

Essa articulação deve envolver diferentes esferas e instituições, com o objetivo de otimizar o uso de dados, ampliar o consumo e desenvolver novas formas de utilização da castanha de baru.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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