COP30 em Belém é mantida pelo Brasil apesar da pressão internacional por mudança 

Após carta de 25 países, governo descarta mudança da sede e apresenta soluções logísticas para reduzir custos e manter a COP30 em Belém

Uma reunião de cerca de três horas entre representantes da ONU (UNFCCC) e do governo brasileiro, realizada em 22 de agosto, discutiu os altos preços de hospedagem em Belém e as dificuldades logísticas para a Conferência do Clima de 2025 (COP30). O encontro foi motivado por carta enviada no dia anterior, em que 25 países, liderados pelo Grupo Africano de Negociadores, pediram formalmente a mudança da sede devido aos custos.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, descartou a possibilidade: “Não há como mudar o lugar da COP30. Esse é um fator importante de reafirmação do governo brasileiro.” Para lidar com as críticas, foi anunciada uma força-tarefa coordenada pela Secretaria Extraordinária da COP (SECOP), com apoio dos ministérios do Turismo, Meio Ambiente, Relações Exteriores e do governo do Pará. O grupo atuará de imediato para auxiliar os 72 países considerados mais vulneráveis pela ONU, entre eles os menos desenvolvidos e pequenos estados insulares.

André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em coletiva de imprensa sobre a conferência.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que não há possibilidade de mudar a sede do evento de Belém. Foto: Isabela Castilho/COP30 Amazônia.

Entre as medidas, estão pacotes de hospedagem entre US$ 100 e US$ 200 para 15 negociadores de países vulneráveis e opções mais caras para outras delegações. O Brasil rejeitou a proposta da ONU de oferecer subsídio diário de US$ 100, defendendo que a organização amplie seus próprios auxílios e também recusou reduzir o tempo mínimo dos pacotes oficiais de 15 para 10 dias. “O que estão pedindo é uma solução milagrosa”, resumiu o secretário Valter Correia, lembrando que a legislação impede o controle direto de preços pelo governo.

Apesar da pressão, 47 países já confirmaram presença em Belém, incluindo Arábia Saudita, Egito, Espanha e Japão. O governo também reforçará o diálogo com empresas e sociedade civil e anunciou encontros preparatórios com delegações antes da conferência. A medida busca conter riscos de boicote que poderiam comprometer a legitimidade das negociações climáticas globais.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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