Ondas de calor intensificadas pelo aquecimento global triplicaram as mortes na Europa; o continente representa 36% dos óbitos por calor extremo no mundo.
Um novo estudo revela que, em apenas 10 dias, cerca de 2.300 pessoas morreram em 12 cidades europeias, devido ao calor extremo. O número é três vezes maior do que a quantidade de mortes esperada em um cenário sem mudanças climáticas. A pesquisa aponta que o aquecimento global intensificou as ondas de calor em até 4 °C, o que provocou um aumento no número de óbitos.
Cidades como Milão, Barcelona, Paris e Londres foram algumas das mais afetadas, com centenas de mortes atribuídas às altas temperaturas. As ondas de calor já são consideradas uma das principais ameaças à saúde humana. Dados da ONU estimam que, entre 2000 e 2019, o calor extremo provocou 489 mil mortes por ano em todo o mundo. A Europa representa 36% desse total.
Os efeitos do calor no Brasil
Um estudo publicado em 2024 identificou 48 mil mortes associadas a ondas de calor no Brasil, no período de 2000 a 2018. Segundo os autores da pesquisa, os grupos mais vulneráveis — idosos, mulheres, pessoas negras e com baixa escolaridade — foram as principais vítimas. A pesquisa, que analisou as 14 regiões metropolitanas mais populosas do país, aponta também um aumento da frequência do calor extremo.
No Brasil, a ameaça das ondas de calor se relaciona muito à intensificação de desastres climáticos, como enchentes e alagamentos (em especial na região Sudeste) e a elevação do nível do mar. Alterações no ciclo das águas e no regime de chuvas podem também causar estiagens e acelerar o processo de desertificação de regiões de biodiversidade, a exemplo do Cerrado e da Amazônia.