Estudo inédito da FGV DAPP mostra tensão entre combate a discurso de ódio e acusações de censura nas redes sociais

O estudo Discurso de ódio em ambientes digitais: Definições, especificidades e contexto da discriminação on-line no Brasil a partir do Twitter e do Facebook, que investiga o debate público em torno do discurso de ódio e da censura, analisou 11 milhões de tuítes e 34 mil posts no Facebook entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021

Estudo da FGV DAPP revela tensão entre combate a discurso de ódio e censura nas redes sociais. A discussão ganhou força após episódios como a morte por espancamento de um consumidor negro em Porto Alegre (RS) e da suspensão de contas do então presidente dos EUA Donald Trump, bem como remoções de conteúdo e de perfis de influenciadores nas plataformas.

O estudo Discurso de ódio em ambientes digitais: Definições, especificidades e contexto da discriminação on-line no Brasil a partir do Twitter e do Facebook, que investiga o debate público em torno do discurso de ódio e da censura, analisou 11 milhões de tuítes e 34 mil posts no Facebook entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021.

g1 6
g2 7

Os episódios indicam que, apesar de existirem diretrizes para sanções de contas que publicam conteúdos ofensivos, a detecção desse tipo de postagem ainda é muito complexa e pouco transparente. No debate sobre discurso de ódio no Twitter e no Facebook, as publicações se concentraram em torno de temas como misoginia e racismo;

O discurso sobre censura, por outro lado, foi intensificado pelas sanções às contas de Trump quando ainda era presidente dos EUA. Postagens questionando o resultado das eleições presidenciais foram associadas à invasão do Congresso americano por setores extremistas. A suspensão de contas mobilizou as redes na abordagem sobre a censura nas plataformas em torno da expressão de opinião dos seus usuários, tanto no Twitter como no Facebook;

Considerando a evolução do debate on-line, no período analisado, o estudo apontou para uma tensão entre a compreensão estrutural e pessoal da discriminação, o que significa dizer que, para uma parcela dos atores, isso é central no amadurecimento democrático, e por isso deve estar na arena pública; mas, para outra, trata-se de um discurso que desestabiliza o campo político sem, contudo, produzir mudanças efetivas.

Por fim, as sanções operadas pelas plataformas, interferindo no fluxo de publicações e na atuação de determinados atores, intensificou o debate sobre liberdade de expressão, levando a uma problematização não de sua legitimidade, mas de seus limites.

O aumento do fluxo do debate de discurso de ódio e censura a partir da repercussão de notícias no âmbito nacional e internacional confirma o papel das mídias noticiosas na intensificação das discussões em curso, nas plataformas investigadas. Ao lado de figuras públicas detentoras de grande rede, sobretudo artistas e políticos, elas continuam sendo um ator fundamental para a expansão do debate público.

Sobre o estudo

A pesquisa Discurso de ódio em ambientes digitais: Definições, especifidades e contexto da discriminação on-line no Brasil a partir do Twitter e do Facebook foi desenvolvida pela FGV DAPP no âmbito do projeto Digitalização e Democracia no Brasil, com apoio da Embaixada da Alemanha em Brasília. Com duração até 2022, o projeto conta com a experiência em pesquisa aplicada de redes sociais e da expertise de análise de políticas públicas da FGV DAPP.

Para a íntegra do estudo acesse o site.

Fonte: FGV

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

0,4% contra US$ 13,29 bilhões: para onde vai o dinheiro público na Amazônia

Estudo mostra que o investimento público na Amazônia favorece o agronegócio, enquanto o crédito socioambiental é negligenciado.

Dois séculos no gênero errado: Cientistas identificam macho de gafanhoto 206 anos após descoberta

Estudo identifica macho de gafanhoto após 206 anos e explica como uma nova espécie na Amazônia é reconhecida por análises e coleções científicas.

Manaus tem o agosto mais seco em 40 anos e a vazante acelera

Nível do Rio Negro preocupa após Manaus registrar agosto mais seco em 40 anos, com calor intenso e influência do El Niño.

A teimosia que abriu a porta da logística amazônica

Ao reunir no mesmo fórum o comando da política hidroviária, o DNIT e a Marinha, o CIEAM oferece uma mostra dos resultados de uma mobilização construída ao longo dos anos. A presença qualificada do governo federal indica que os gargalos do Amazonas começam a ser compreendidos como uma questão nacional, ligada à competitividade, à arrecadação, à segurança territorial e ao futuro da economia da floresta em pé.