Estiagem amazônica: um ciclo de descaso que precisa de quebra

“Diante da estiagem amazônica, o alerta está dado — de novo. E é preciso que a voz do comércio e da indústria da Amazônia ecoe com firmeza: não pedimos favores, exigimos políticas públicas comprometidas com a realidade logística do nosso território”

Mais uma vez, como em um roteiro já escrito, os rios da Amazônia anunciam a chegada de uma nova vazante severa. Para quem vive do comércio, da indústria e da prestação de serviços na região, isso significa um novo ciclo de prejuízos, incertezas e desigualdade logística.

Este não é um evento inesperado. É um fenômeno cíclico que já ceifa competitividade, eleva o custo de vida e prejudica o abastecimento de milhões de pessoas. E, mesmo assim, o Brasil insiste em virar as costas para este drama amazônico.

estiagem amazônica
Chega de paliativos!

Quando o nível dos rios baixa drasticamente, o frete sobe. Aplica-se uma taxa conhecida como “low waters”, imposta pelas operadoras de transporte pelo risco ampliado da navegação. Mas esse é apenas o custo direto. Há também os indiretos:

  • 🔷 ⁠Maior tempo de entrega,
  • 🔷⁠ ⁠Maior necessidade de estoque,
  • 🔷 ⁠Maior imobilização de capital,
  • 🔷Mais carga tributária sobre tudo isso.

Além da distância física dos grandes centros, a Amazônia sofre com um isolamento logístico e político que parece teimoso e deliberado. A cada novo ciclo de estiagem, nossas dificuldades se repetem como se fossem novidade, e as medidas sempre chegam tarde, paliativas, emergenciais – nunca estruturais.

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Embarcações encalhadas no leito seco do Rio Negro: trecho que banha Manaus registrou a maior seca desde 1902, ano em que se iniciaram as medições no local (Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace)

A proposta não é apenas gritar o problema. É propor, dividir responsabilidades e convocar para a colaboração entre setor público e privado, antes que a seca bata à porta mais uma vez.

Do setor privado, podemos agir:

  • 🔷 ⁠Oferecendo custos portuários mais acessíveis nos dois meses que antecedem o período crítico,
  • 🔷⁠Organizando compras antecipadas,
  • 🔷 ⁠Ajustando estoques com planejamento coletivo.

Do Governo Federal, exigimos:

  • 🔷 ⁠Redução temporária das taxas da Suframa nos meses de risco,
  • 🔷Melhoria das condições de trabalho para a Alfândega de Manaus, garantindo agilidade e eficiência no desembaraço de cargas.

Do Governo Estadual, pedimos:

  • 🔷 ⁠Prazos maiores para pagamento de ICMS no mesmo período,
  • 🔷⁠Diálogo com o setor produtivo para medidas antecipadas e não apenas reativas.

O alerta está dado. De novo. E é preciso que a voz do comércio e da indústria da Amazônia ecoe com firmeza. Não pedimos favores. Exigimos políticas públicas comprometidas com a realidade logística do nosso território.

Chega de paliativos pós-desastre. Está na hora de responsabilidade prévia. O Amazonas não pode mais ser tratado como exceção: precisamos ser prioridade.

Belmiro Vianez Filho
Belmiro Vianez Filho
Empresário do comércio, ex-presidente da ACA e colunista do portal BrasilAmazôniaAgora e Jornal do Commercio.

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