Ensaios da diversificação e interiorização

Quem chega a Itacoatiara, pela Rodovia AM-010, a 230 quilômetros de Manaus, se depara à margem esquerda, com 12.000 hectares de cultura extensiva de castanha do Pará, a Bertholletia excelsa, com um milhão e trezentas mil árvores enxertadas em fase de produção de frutos, sendo um milhão de árvores para produção de madeira, além de 600.000 palmeiras sem espinho, em fase de produção de palmito. À margem direita, o plantio de 1 milhão de sumaúmas espera, impune e inocente, a liberação da política ambiental para abastecer a indústria local de laminados de madeira, onde 4 mil empregos foram perdidos pelo preservacionismo vesgo da intocabilidade desta política imobilista  que trata as árvores como a Índia trata suas vacas. O programa de cultura  extensiva da castanha da Agropecuária Aruanã, do visionário Sergio Vergueiro, assim como o da Companhia Brasileira de Plantações, de Cosme Ferreira, são ousadias do empreendedorismo amazônico para uma silvicultura inteligente, que agrega inovação tecnológica  com a generosidade biótica da Hileia. E Itacoatiara é, dos biomas amazônicos, o mais adequado para bioprospecção de negócios, pela variedade e generosidade genética que deixou atarantado o irmão do Marquês de Pombal, Mendonça Furtado. Ele descortinou a bonança da geo e biodiversidade monumental. Por isso, ali estão sediadas há décadas unidades do SENAI, da UFAM e mais recentemente da UEA, além da Embrapa, por visão e insistência de Moysés Israel, um dos pioneiros do empreendedorismo da sustentabilidade, que doou glebas e energia para qualificar trabalhadores na Silvicultura regional.

Além de castanha e pupunha, mercados que vão demandar uma infraestrutura logística que se redimensiona, e da madeira branca para laminados, para a indústria da  silvicultura de um município que  já teve um polo moveleiro, e tem graduação em Engenharia Florestal, Itacoatiara – se atrelada à agroeconomia dos municípios vizinhos – tem o polo de citricultura, com o abacaxi mais adocicado do planeta, de  fibras vegetais, de café, cana, feijão, guaraná, aquicultura, borracha e estrutura estratégica para os negócios que a Embrapa denomina de agrossilvopastoris, com um potencial de  utilização de imensas glebas abandonadas e degradadas por projetos que não contaram com investimentos públicos ou créditos de fomento. Na Amazônia estima-se que existem 60 milhões de hectares desmatados, sendo que 25% estão degradados ou em processo de degradação. A ocupação destas áreas para o estabelecimento de plantios florestais representaria um incremento de mais de 100% no total de áreas de florestas plantadas em todo o Brasil.

A indústria de laticínios de Autazes da pecuária bufalina com tecnologia adaptada às condições bióticas locais, reafirma outras vocações de negócios para o Baixo Amazonas. Entre elas se destaca a prospecção de silvinita, de onde se extrai o potássio do NPK, a sigla química do agronegócio,  nos municípios de Nova Olinda, Silves, onde existem reservas promissoras de petróleo e gás, Itacoatiara e adjacências. Ali, onde o cauim propicia um porcelanato promissor, estão dadas todas as condições de implantar um polo de fertilizantes para atender a demanda regional e nacional desse insumo. De quebra, com a produção de potássio amazonense, o Brasil – cuja única mina em funcionamento, a de Sergipe, se esgota em 4 anos – deixará de ser dependente de outros países produtores do minério. Além da Amazônia brasileira, somente o Canadá e Rússia possuem reservas deste minério. Itacoatiara, do nheengatu itá: pedra; e coatiara: (pintado, gravado, escrito, esculpido) sede histórica de gestão regional anterior a Manaus, possui uma estrutura portuária responsável por uma logística vital para a região, sendo o segundo maior porto fluvial escoador do país. Com energia de Tucuruí, que se faz acompanhar da fibra ótica, eis um ensaio da diversificação  e interiorização da socioecnomia dos próximos 50 anos da ZFM.

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Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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