Após enchentes, quanto tempo o solo da Serra Gaúcha levará para se recuperar?

Professor da UFSM destaca a importância de estratégias preventivas, como o nivelamento do solo, permitindo que os produtores recuperem suas áreas de cultivo na Serra Gaúcha após as enchentes

Com as enchentes no Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024, mais de 85% do estoque de carbono no solo dos pomares da Serra Gaúcha foram perdidos. Estima-se que a reposição desse nutriente essencial pode levar entre 14 e 40 anos.

As inundações no estado contribuíram para o deslocamento de solo de partes mais altas para mais baixas e afetaram gravemente a fertilidade do solo. Esse cenário tornou-se um grande desafio para os produtores rurais da Serra Gaúcha, uma das regiões mais atingidas pelas chuvas intensas em um curto período de tempo.

Os dados foram apresentados pelo professor Gustavo Brunetto, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), durante o seminário RS Resiliência e Sustentabilidade, realizado na UFRGS na última sexta-feira (14). O evento discutiu os impactos das enchentes, os efeitos das mudanças climáticas e possíveis soluções para mitigar os danos.

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Registro das enchentes no RS | Foto: Reprodução/TV Globo

Além da perda de carbono no solo, houve uma redução nos teores de fósforo nas áreas afetadas por deslizamentos durante as enchentes no RS.

Segundo Brunetto, essa perda de fósforo pode causar contaminação da água e elevar os custos para os agricultores, que precisarão investir mais em fertilizantes para compensar a degradação do solo e restaurar a produtividade das plantações. “Nós tivemos uma perda da matéria orgânica do solo. Com isso nós perdemos uma fonte importante que vai disponibilizar nutrientes para as plantas”, pontua.

Soluções para a produtividade do solo

Entre os caminhos para solucionar esse cenário, o professor ressalta que a reposição de nutrientes no solo exige tanto conhecimento técnico quanto investimento. Para minimizar os impactos futuros, ele destaca a importância de estratégias preventivas, como o nivelamento do solo, permitindo que os produtores recuperem suas áreas de cultivo.

Brunetto aponta como soluções técnicas agronômicas reconhecidas, como a calagem, que corrige a acidez do solo e fornece cálcio e magnésio, além da adubação, essencial para repor os nutrientes perdidos e garantir a fertilidade do solo.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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