Brasil atinge menor nível de emissões de incêndios florestais em mais de 20 anos

Monitoramento do Copernicus revela que as emissões de incêndios florestais no Brasil atingiram o menor nível em 22 anos, após pico alarmante na Amazônia em 2024.

Dados divulgados pelo Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS) revelam que, até novembro de 2025, o Brasil teve a menor liberação de poluentes atmosféricos causada por queimadas desde o início da série histórica, em 2003. Foram cerca de 80 megatoneladas de carbono lançadas na atmosfera, uma redução expressiva em relação a 2024, quando apenas a Amazônia respondeu por quase 800 megatoneladas de emissões de incêndios florestais.

O volume registrado coloca 2025 entre os anos com menor impacto atmosférico associado a queimadas, ao lado de 2013 e 2018. A tendência também se estende a outros países da América do Sul; na Bolívia, as emissões de incêndios florestais somaram aproximadamente 12 megatoneladas no mesmo período, segundo o Copernicus, número considerado baixo em relação à média histórica.

Na direção oposta, a União Europeia (UE) enfrentou em 2025 seu pior ano em termos de emissões de incêndios florestais. Impulsionados por ondas de calor, ventos fortes e estiagens prolongadas, os incêndios florestais de verão na Espanha e em Portugal contribuíram para um recorde continental: quase 13 megatoneladas de carbono emitidas, o maior total já registrado na UE.

Incêndio florestal de grandes proporções na Europa, com fumaça densa contribuindo para o aumento das emissões de incêndios florestais.
Na União Europeia, as emissões de incêndios florestais atingiram recorde em 2025, com destaque para os focos em Portugal e Espanha. Foto: Cesar Manso/AFP.

Embora esse volume represente uma fração modesta das emissões globais de CO₂, os cientistas do Copernicus alertam que ele impacta diretamente a qualidade do ar, elevando a concentração de poluentes nocivos à saúde humana e ao meio ambiente, como partículas finas (PM2,5) e óxidos de nitrogênio (NOx)

Entre os focos mais críticos estiveram as regiões espanholas de Castela e Leão, Galícia, Astúrias e Extremadura, onde os incêndios deixaram mortos, desalojados e mais de 120 mil hectares destruídos. A análise do CAMS reforça que os episódios mais severos coincidem com condições meteorológicas extremas, como ocorreu na Península Ibérica em 2025 e na Amazônia em 2024.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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