Clima mais ameno e reforço na fiscalização ajudam a conter as queimadas na Amazônia, que registram sua menor área queimada desde 2018, segundo dados do Inpe.
O Brasil alcançou em 2025 o menor índice de queimadas na Amazônia dos últimos sete anos, com redução de 63% na área afetada entre janeiro e setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram registrados 2.396 focos em áreas de vegetação nativa, número 90% menor que no mesmo período do ano anterior. O total de ocorrências de fogo no país foi de 75.745, o menor desde 2000.

A diminuição é atribuída a um conjunto de fatores, incluindo condições climáticas menos extremas, maior volume de chuvas em regiões críticas e intensificação das ações de fiscalização. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que o número de áreas sob seca extrema entre junho e agosto foi significativamente inferior ao registrado em 2024, o que contribuiu diretamente para conter as queimadas na Amazônia e em outros biomas sensíveis.
O Pantanal apresentou o resultado mais expressivo, com queda de 97% nos focos de incêndio e redução da área queimada de 21.564 km² para apenas 1.587 km². A Mata Atlântica também registrou melhora, com recuo de 31% nos focos. Por outro lado, Cerrado, Caatinga e Pampa apresentaram aumento nas queimadas no mesmo período, o que evidencia diferenças regionais nas dinâmicas climáticas e nas políticas de controle.

Entre os estados, o Maranhão lidera em focos de incêndio, com 10.582 registros, seguido por Mato Grosso, Tocantins, Bahia e Pará — juntos, responsáveis por mais da metade das ocorrências no país. A posição do Maranhão, que superou o histórico protagonismo de Mato Grosso, reflete a complexidade das variações locais e os desafios de enfrentamento das queimadas na Amazônia, especialmente em áreas de fronteira agrícola.
O avanço no controle das queimadas na Amazônia fortalece a posição do Brasil nas negociações internacionais sobre clima e conservação. O país é apontado como potencial beneficiário do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo de recompensa voltado a países que reduzem desmatamento e protegem suas florestas. O fundo deve ser lançado durante a COP30, marcada para acontecer em novembro, em Belém (PA). Para o diretor do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, os dados mostram que “é possível conciliar proteção ambiental e desenvolvimento sustentável quando há compromisso e investimento”.

