Pesquisadores da Embrapa desenvolvem bebida alcoólica de acerola

Cientistas da Embrapa Semiárido anunciaram um avanço significativo para o agronegócio brasileiro: a criação de uma bebida alcoólica fermentada a partir da acerola, fruta conhecida por suas propriedades nutricionais. Esta inovação não apenas promete reduzir as perdas pós-colheita, mas também abrir novos horizontes comerciais para produtores e agroindústrias.

O Brasil, líder mundial na produção de acerola, vê neste produto a chance de capitalizar em um mercado em ascensão de bebidas fermentadas de frutas. Uma garrafa de 750 ml pode chegar a ser vendida por até R$ 80,00, evidenciando seu potencial lucrativo.

A pesquisa, conduzida em conformidade com as normas legais, utilizou a variedade Junko de acerola, escolhida por seu alto teor de vitamina C, cor vibrante e características sensoriais únicas. Além de seu apelo estético e gustativo, a bebida se destaca por suas propriedades antioxidantes, antimutagênicas, anti-inflamatórias e anti-hiperglicêmicas, graças à riqueza em carotenóides e compostos fenólicos da fruta.

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Este desenvolvimento não apenas representa um avanço na valorização da acerola, mas também responde à demanda crescente por produtos naturais e funcionais. A Embrapa está pronta para transferir essa tecnologia ao setor produtivo, visando impulsionar a economia agrícola e abrir portas para a exportação.

A expectativa é que a bebida fermentada de acerola se posicione como um sucesso de mercado, enriquecendo o portfólio da agroindústria brasileira e oferecendo novas oportunidades de renda para os produtores. Com uma combinação única de sabor exótico e benefícios nutricionais, a nova bebida tem potencial para conquistar consumidores no Brasil e no exterior.

Sérgio Tonetto de Freitas, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, destacou a importância de identificar um ponto específico de maturação. “A uniformização do estágio de maturação das acerolas é fundamental para garantir a qualidade superior do produto final”, explica. Para alcançar esse objetivo, os cientistas recorreram ao tratamento com etileno, um hormônio naturalmente presente nas frutas que promove o amadurecimento.

Esse processo assegurou que todas as frutas estivessem no mesmo nível de maturação no momento da fermentação, resultando na redução da acidez e na melhoria do perfil sensorial da bebida. Os resultados indicaram que as acerolas devem ser colhidas com 100% de coloração vermelha na casca e mantidas a 12 °C até que adquiram uma tonalidade vermelha intensa a arroxeada, o que é ideal para a produção da bebida.

A pesquisa ressalta o potencial inexplorado da acerola além da extração de vitamina C, abrindo caminho para sua utilização em outras formas de comercialização. “Esse avanço representa uma nova fronteira para o mercado de bebidas derivadas de frutas, beneficiando especialmente pequenos e médios produtores”, afirma Tonetto.

Este estudo não apenas eleva o padrão de qualidade para a produção de bebidas fermentadas de frutas no Brasil, mas também destaca a capacidade de inovação na agricultura, promovendo uma maior valorização da acerola no mercado nacional e internacional.

*Com informações Embrapa

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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