USP desenvolve embalagens biodegradáveis de amido e cúrcuma para substituir isopor

Pesquisadores da USP desenvolvem bandejas de amido e cúrcuma, as embalagens biodegradáveis se decompõem em até 30 dias, apontando alternativa sustentável ao isopor e ao lixo plástico.

Pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP desenvolveram protótipos de embalagens biodegradáveis feitas de amido de mandioca e resíduo da extração de pigmento de cúrcuma. O objetivo foi criar uma alternativa ecológica e viável ao isopor (EPS), material amplamente usado em embalagens de alimentos, mas derivado do petróleo e capaz de permanecer por séculos no ambiente, fragmentando-se em microplásticos prejudiciais à fauna e à saúde humana.

A nova formulação combina o amido, polímero natural capaz de gerar espuma, com o resíduo vegetal da cúrcuma, que melhora a consistência, reduz a absorção de água e aumenta a resistência ao calor. Também foram usados glicerol, goma guar, estearato de magnésio e água. Os protótipos foram moldados em termoprensa e submetidos a diferentes proporções de amido e cúrcuma (100:0, 90:10, 80:20 e 70:30), permitindo comparar desempenho físico e mecânico. 

Resíduo de cúrcuma usado em pesquisas científicas como componente de embalagens biodegradáveis que se decompõem em cerca de 30 dias.
Resíduo de cúrcuma foi incorporado à formulação das bandejas biodegradáveis, melhorando resistência e repelência à água. Foto: Guilherme José Aguilar.

Os testes mostraram que, embora não sejam totalmente impermeáveis como as bandejas de EPS, as embalagens biodegradáveis de amido com cúrcuma apresentaram maior resistência mecânica, porosidade reduzida e melhor repelência a líquidos. A versão 90:10 alcançou o melhor equilíbrio entre propriedades. Quanto ao calor, resistem até 100 °C, sendo indicadas para alimentos perecíveis ou fast food.

O destaque é a biodegradabilidade: amostras enterradas em solo rico em matéria orgânica se decompuseram entre 28 e 31 dias, enquanto o EPS não mostrou sinais de degradação. Para comparação, a bandeja feita apenas com amido degradou-se em 14 dias.

Segundo o pesquisador Guilherme José Aguilar, o material tem forte potencial comercial diante da crescente demanda por embalagens biodegradáveis. Os próximos passos envolvem testes em escala industrial, análise econômica e avaliação da segurança em contato direto com alimentos.

Protótipos de bandejas feitas de amido e cúrcuma, alternativa biodegradável ao isopor desenvolvida por pesquisadores da USP.
Protótipo de bandeja de amido e cúrcuma desenvolvido pela USP. Foto: Guilherme José Aguilar.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Idesam transforma 20 anos de atuação na Amazônia em manual para equipes de campo

Idesam reúne 20 anos de atuação na Amazônia em manual para fortalecer diálogo, escuta ativa e segurança jurídica com comunidades.

Desmatamento na Amazônia cai 35% e atinge menor área em 20 anos 

Desmatamento na Amazônia atinge a menor área para junho em 20 anos, com queda de 35% nos alertas registrados pelo Inpe.

El Niño tem 81% de chance de chegar a nível “muito forte” em 2026

El Niño pode atingir intensidade muito forte no fim de 2026, alerta NOAA, elevando riscos de calor, tempestades e mudanças nas chuvas.