Suspensão da Moratória da Soja pelo Cade mobiliza varejistas europeus, que exigem das tradings compromissos contra o desmatamento na Amazônia e regras claras de compra
Grandes redes varejistas da Europa publicaram uma carta direcionada às principais empresas globais de comercialização de grãos pedindo que não comprem soja oriunda de áreas de desmatamento na Amazônia. O movimento ocorre três semanas após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspender o funcionamento da Moratória da Soja, acordo firmado em 2006 que impede a compra de grãos produzidos em áreas desmatadas no bioma após julho de 2008.
Entre os signatários estão as redes Tesco, Sainsbury’s e Aldi. A carta foi enviada aos presidentes da ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Cofco, solicitando que reafirmem publicamente o compromisso com a data-limite de 2008. O documento, visto pela agência Reuters, afirma que a decisão do Cade “representa uma séria ameaça” à Moratória da Soja, pacto que há quase duas décadas contribui para conter o avanço do desmatamento na Amazônia.

Mesmo sob o pacto, um estudo publicado na revista Science, em 2020, indicou que cerca de 20% da soja brasileira produzida na Amazônia e no Cerrado e exportada para a União Europeia tem rastro de desmatamento ilegal. Por isso, a expectativa é de que o quadro se agrave.
Os supermercados europeus afirmam apoiar esforços das tradings para recorrer da decisão judicial e pedem a adoção imediata de medidas provisórias que mantenham a rastreabilidade e o bloqueio de grãos oriundos de áreas desmatadas. Segundo os signatários, a manutenção de regras claras é essencial para reduzir a incerteza do mercado e garantir a proteção da floresta diante do risco crescente de desmatamento na Amazônia. As empresas alvo da carta não responderam imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.
