Economia regenerativa: um novo caminho para o Amazonas

“61 municípios do interior do Amazonas poderão ter como base a Economia Regenerativa, com a atuação em conjunto das universidades e institutos de pesquisa com a inserção de mão de obra local e a criação de oportunidades associadas com a dinâmica do século XXI”

É inegável a necessidade de mudar o interior do Amazonas, ampliando seu desenvolvimento humano, com um grande desafio de que, simultaneamente, os municípios sejam defensores do meio-ambiente e da biodiversidade, respeitando suas tradições e culturas. Este talvez seja o maior desafio histórico do Amazonas. Não há mais recursos para um “Estado de Bem-estar”, como uma idealização global que não chegamos a viver, não há o que privatizar ou desregular no interior, como pregava o Consenso de Washington, que o Brasil seguiu em alguma medida. 

As políticas distributivas e redistributivas, do “Pós-neoliberalismo”, com uma tentativa de soberania dos recursos naturais, também não trouxeram respostas para a superação do baixo índice de desenvolvimento humano no interior. A provável volta do Estado Empreendedor, com investimento público em Pesquisa & Desenvolvimento pode ter algumas respostas para encontrar a filosofia de superação das condições precárias em que se vive nestas regiões. As soluções associadas com a Economia Regenerativa podem trazer boas diretrizes.

Uma busca de medição alternativa, como o Índice de Progresso Social, que possui métricas de Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos de Bem-Estar e Oportunidade podem passar a nortear a mudança do interior. As lacunas apontam onde devem se encaixar as Políticas Públicas apropriadas para cada Missão de Mudança do Interior. Em levantamento de 2024, as áreas do interior do Amazonas estão entre as piores dos “nove Brasis”, por esta classificação.

economia regenerativa
Casas flutuantes em Manaus, no Amazonas — Foto: Getty Images

Uma possibilidade de rota transformadora para o interior pode ser um misto de adoção de política pública contemporânea: missões de transformação do interior do Amazonas, por meio de políticas de Pesquisa & Desenvolvimento, e ações voltadas para as lacunas nas três dimensões apresentadas, em todas as sedes de município do Interior do Estado.

Cada localidade precisa ter estrutura portuária e retroportuária compatível com as vocações e possibilidades daquele município e ações transformadoras de investimento precisarão ser feitas, para atrair oportunidades em todas as localidades do interior, evitando que as novas gerações saiam dali.

Na dimensão de oportunidades, o aprendizado de tecnologias produtivas sustentáveis, com as condições apropriadas de transporte, pode viabilizar atividades além do extrativismo, criando uma produção que possa ser comercializada para as demais capitais da região Norte, conforme a proximidade dos municípios. Precisamos considerar a geografia, na busca das parcerias econômicas mais próximas, que poderão levar, inclusive, a uma maior integração da Panamazônia.

61 municípios do interior do Amazonas poderão ter como base a Economia Regenerativa, com a atuação em conjunto das universidades e institutos de pesquisa com a inserção de mão de obra local e a criação de oportunidades associadas com a dinâmica do século XXI. As considerações geográficas precisam direcionar as atividades de cada região, mas enquanto não houver uma infraestrutura que permita um transporte rápido e barato, qualquer potencial de desenvolvimento vai se perder na ineficiência logística e transferir riqueza para o atravessador, ao invés de gerar riqueza para o produtor e oportunidades para os consumidores.             

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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