Árvore milenar do “sangue de dragão” luta pela sobrevivência em meio ao colapso climático

As dragoeiras de Socotra não são apenas um ícone paisagístico: sua seiva, conhecida como “sangue de dragão é utilizada há séculos para fins medicinais, cosméticos e até artísticos, o que adiciona valor cultural e econômico à espécie

As dragoeiras de Socotra, conhecidas como “árvores com sangue de dragão”, estão ameaçadas de extinção, pressionadas por uma combinação de fatores ambientais e socioeconômicos. Essa espécie única, famosa por sua seiva vermelho-sangue e por suas copas em formato de cogumelo, é encontrada exclusivamente no arquipélago de Socotra, no Iêmen, onde exerce um papel fundamental na manutenção dos ecossistemas locais.

Historicamente numerosas, as dragoeiras vêm sofrendo com o avanço de ciclones cada vez mais severos, que danificam suas estruturas e afetam sua regeneração natural. Além disso, a presença de cabras invasoras, que se alimentam de suas mudas e impedem o crescimento de novas árvores, compromete seriamente a renovação da espécie. A situação é agravada pela guerra civil no Iêmen, que tornou difícil o acesso à ilha e inviabilizou projetos de conservação do meio ambiente mais robustos.

As dragoeiras de Socotra não são apenas um ícone paisagístico: sua seiva, conhecida como sangue de dragão é utilizada há séculos para fins medicinais, cosméticos e até artísticos, o que adiciona valor cultural e econômico à espécie
| Foto: Alexandre Baron/Flickr

A importância das dragoeiras

A dragoeira de Socotra não é apenas um ícone paisagístico: sua seiva é utilizada há séculos para fins medicinais, cosméticos e até artísticos, o que adiciona valor cultural e econômico à espécie. No entanto, sem medidas urgentes de proteção e manejo ambiental, essa árvore emblemática pode desaparecer, levando consigo parte do patrimônio biológico e cultural da ilha.

“Quando se perdem as árvores, perde-se tudo: o solo, a água, todo o ecossistema”, afirma Kay Van Damme, biólogo conservacionista belga que trabalha em Socotra desde 1999. “Como humanos, conseguimos destruir enormes quantidades de natureza na maioria das ilhas do mundo. Socotra é um lugar onde podemos realmente fazer algo”, pontuou.

Dragoeiras: clima extremo, conflitos e cabras invasoras ameaçam uma das árvores mais raras do mundo.
Dragoeiras: clima extremo, conflitos e cabras invasoras ameaçam uma das árvores mais raras do mundo| Foto: Reprodução/National Geographic

Esforços de conservação precisam melhorar

Com pouco apoio nacional, os esforços de conservação das dragoeiras ficam, em grande parte, a cargo dos habitantes de Socotra. No entanto, os recursos locais são escassos. Financiamento para viveiros robustos, com postes de cimento, que mantêm cabras invasoras afastadas e permitem que as mudas das dragoeiras cresçam sem serem perturbadas, faria uma grande diferença, segundo Hiroyuki Murakami, cientista climático da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), em matéria do EuroNews.

“Neste momento, existem apenas alguns pequenos projetos ambientais — e isso não é suficiente”, afirmou. “Precisamos que a autoridade local e o governo nacional do Iêmen façam da conservação uma prioridade.”

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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