“Faz escuro”, sim — mas é justamente por isso que precisamos cantar. Cantar para espantar a escuridão do ódio e da violência. Cantar com a coragem mansa de quem escolhe a paz quando o mundo parece exigir o contrário.
Neste tempo de Natal, eu me pego lembrando que há escuridões que só se vencem com oração, com recusas firmes e com ações simples — porém decisivas — de reconciliação. É quando a vida nos pede testemunho: do quanto faz bem, para nós e para quem caminha ao nosso lado, praticar o perdão, o acolhimento e a comunhão.
Todo fim de ano, a história se repete — e eu sigo fazendo duas malas.
A primeira é concreta. Nela coloco coisas, roupas, objetos e lembranças que já me serviram no passado e que, agora, podem servir a alguém. É um jeito silencioso de reconhecer: aquilo que me aqueceu um dia pode aquecer outro coração.
A segunda mala é a mais pesada — e também a mais cheia. É feita de conteúdos emocionais: culpas antigas, mágoas repetidas, medos que viraram hábito, saudades que viraram prisão, expectativas que não cabem mais no presente. E eu me despeço dessas coisas. Não sem um luto — porque a gente também sofre quando deixa partir o que já foi parte de nós, ou do que imaginávamos que seríamos.

E então eu peço a Deus — e ao meu Self, esse lugar íntimo onde a consciência aprende a se reorganizar — que devolva tudo com outra roupagem. Com outros recursos adaptativos. Com outra maturidade para o tempo novo que se anuncia. Porque a vida não nos espera: o tempo passa, o tempo voa… e a graça, quando chega, pede espaço.
Que 2026 nos traga sabedoria, resiliência e paz no coração. Que ilumine, com suas múltiplas cores, símbolos e significações, não apenas a minha alma, mas também a dos amigos e amigas a quem dedico esta mensagem.
Desejo um Natal feliz — com presença, com sentido e com ternura. E um Ano Novo com mais sorrisos, boas histórias, novos interesses e aquela gratidão pelas pequenas magias Deo concedentes que atravessam nossos dias… e que nem sempre registramos como dádivas, ou como pequenos milagres cotidianos.
Que em 2026 não faltem novas esperanças — e, por que não, um novo jeito de viver. Um novo jeito de encarar as surpresas que o destino nos traz: às vezes boas, outras nem tanto… mas sempre capazes de nos ensinar alguma forma de luz.
Com afeto e votos de paz,
