Desmatamento virou “grande negócio” na Amazônia, diz presidente do Ibama

Desmatamento – Destruir a natureza no Brasil dá muito dinheiro. Quem faz essa avaliação é Rodrigo Agostinho, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em entrevista ao Valor. Segundo ele, os negócios sustentáveis ainda não acompanham com a mesma velocidade a atual rentabilidade da destruição.

“A terra dobra de valor depois que é desmatada. Se for comprar terra no Mato Grosso ou no Pará, com floresta tem um preço, desmatada é duas vezes mais caro. Virou um grande negócio”, explicou ele.

Esse hiato entre a economia da floresta e os negócios destruidores faz com que, neste momento, o desmatamento só possa ser barrado a partir de mecanismos de comando e controle, avalia Agostinho. Mas o caminho da sustentabilidade como algo rentável tem de ser perseguido, completa.

“Precisamos que a floresta tenha valor econômico. Se queremos ser bem sucedidos, é preciso que o Brasil volte a criar Unidades de Conservação, Terras Indígenas, invista no turismo, invista nos produtos da floresta para indústria alimentícia, farmacêutica, de cosméticos. A gente precisa que as coisas da floresta mantenham a floresta em pé.”

Prova disso está numa recente pesquisa do Instituto Escolhas, que mostra que a redução da pobreza nos estados da Amazônia Legal e a queda no desmatamento da floresta não são excludentes.

Desmatamento
Uma das razões para o desmatamento na Amazônia é a ampliação das fronteiras agropastoris. Fonte: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

De acordo com o estudo “Como a bioeconomia pode combater a pobreza na Amazônia”, o investimento em duas atividades – a horticultura e a recuperação florestal – pode reduzir a pobreza na região, promovendo cadeias produtivas que não destroem a floresta, detalha a Agência Brasil.

Mas, antes de estimular a economia florestal, Agostinho tem decisões complexas a tomar em curto prazo, frisa o Sumaúma. Está nas mãos do IBAMA a concessão da licença de operação da hidrelétrica de Belo Monte – um dos maiores erros ambientais dos governos Lula e Dilma na área energética.

Na área de petróleo, a Petrobras insiste em ser autorizada pelo órgão ambiental a perfurar um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas – área de extrema sensibilidade ambiental.

Outra “bomba relógio” nas mãos de Agostinho é o asfaltamento do trecho do meio da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

A licença prévia para a obra foi liberada em julho de 2022 pelo governo Bolsonaro, mas, segundo especialistas do Observatório do Clima, deveria ter estabelecido condicionantes específicas sobre desmatamento, invasão de terras públicas e grilagem.

Não à toa, dados da entidade mostram que a taxa de desmate cresceu 122% entre 2020 e 2022 nos municípios que margeiam a estrada; só no último ano, a alta foi de 110%.

Em tempo: Começaram nessa segunda-feira (20/3), em Tabatinga (AM), as audiências de instrução e julgamento para decidir se os acusados de assassinar o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips vão a júri popular. As audiências se estendem até quarta. Serão ouvidas 15 testemunhas.

O depoimento dos três acusados – Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”; Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Dantos”; e Jefferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha” – será realizado por videoconferência, informa o g1.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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