Desmatamento da Amazônia intensifica secas extremas e contribui para enchentes, aponta estudo

A perda de árvores pelo desmatamento da Amazônia altera a dinâmica da umidade local, colocando em risco a biodiversidade e a agricultura local.

De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature nesta quarta-feira (5), o desmatamento da Amazônia afeta diretamente o regime de chuvas da região: ele torna a estação chuvosa mais úmida e a estação seca ainda mais seca.

O estudo, conduzido por cientistas da China e Tailândia, mostra que, durante a estação chuvosa, há mais precipitação sobre áreas desmatadas, enquanto na estação seca, quando a floresta mais precisa de umidade, as chuvas diminuem em uma região mais ampla.

Seca na Amazônia atingiu mais de 50% de seus municípios em 2024.
Seca na Amazônia atingiu mais de 50% de seus municípios em 2024 | Foto: Jullie Pereira / InfoAmazonia

Utilizando dados de satélite e simulações climáticas, os pesquisadores analisaram os impactos do desmatamento da Amazônia entre 2000 e 2020 e concluíram que a perda de árvores altera a dinâmica da umidade, colocando em risco a biodiversidade e a agricultura local. Além disso, essa destruição do bioma, impulsionada principalmente pela expansão agrícola e mineração, compromete sua capacidade de absorver dióxido de carbono, intensificando as mudanças climáticas.

“Devido ao seu papel fundamental na regulação do clima regional e global, são necessários esforços contínuos para proteger as florestas restantes na Amazônia, bem como reabilitar as terras degradadas”, concluem os autores.

Seca e incêndios na Amazônia se agravam com El Niño
Seca e incêndios na Amazônia se agravam com El Niño | Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace

Amazônia pode virar Savana

Wim Thiery, professor da Vrije Universiteit, destaca que a pesquisa contribui para entender se a Amazônia está se aproximando de um “ponto de inflexão” – o chamado “ponto de não-retorno”, a partir do qual a devastação não poderia ser revertida. Esse fenômeno poderia transformar a floresta em uma savana, alterando drasticamente o ecossistema e liberando grandes quantidades de carbono na atmosfera.

Um estudo anterior, também publicado na Nature, estimou que, até 2050, entre 10% e 47% da Amazônia poderá ser afetada pelo aquecimento global e desmatamento. Esse cenário resultaria em aumento das temperaturas e intensificação das mudanças climáticas globais, agravando ainda mais a crise ambiental e fenômenos como secas extremas e enchentes.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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