Pesquisadores identificaram 14 espécies inéditas em expedição global que usou ciência de ponta para mapear a biodiversidade marinha profunda e trouxe a descoberta de novas espécies.
O fundo do oceano guarda mistérios que a ciência ainda precisa desvendar. Estima-se que existam cerca de 2 milhões de espécies marinhas vivas, mas só uma pequena parte delas foi oficialmente descrita. Mas isso tem mudado com a descoberta de novas espécies.
Um grupo internacional de pesquisadores revelou 14 novas espécies e dois gêneros inéditos de invertebrados marinhos encontrados em diferentes lugares do planeta. As descobertas fazem parte do projeto Ocean Species Discoveries, criado para tornar o processo de descrição de espécies mais rápido e acessível. A nova leva de achados foi publicada no Biodiversity Data Journal.
As criaturas encontradas vivem em lugares diferentes, desde a zona entremarés da Austrália até fossas oceânicas a mais de 6 mil metros de profundidade, onde a luz do sol não chega e cuja pressão esmagaria qualquer ser humano. Para identificar os animais com precisão, os cientistas usaram tecnologias avançadas, como microtomografia computadorizada, que gera imagens internas dos organismos, quase como um “raio-X 3D”.
Entre os destaque dessa descoberta de novas espécies está o Veleropilina gretchenae, um molusco descoberto na Fossa das Aleutas, no Pacífico Norte, a 6.465 metros de profundidade. Outro exemplo curioso é o Zeaione everta, um parasita cujas fêmeas têm saliências nas costas que lembram pipocas estouradas. aparência que inspirou o nome da espécie. Já o Myonera aleutiana, um bivalve carnívoro, foi analisado exclusivamente por imagens tomográficas, revelando detalhes nunca antes vistos dos seus tecidos internos.
Também há histórias simbólicas, como a do Apotectonia senckenbergae, um pequeno crustáceo encontrado nas profundezas das Ilhas Galápagos e batizado em homenagem à naturalista alemã Johanna Senckenberg, do século XVIII.
O trabalho não é apenas uma lista de descoberta de novas espécies, mas um esforço para revelar formas de vida que ainda são desconhecidas pela ciência. Ao acelerar o processo de identificação e publicação, os pesquisadores esperam evitar que esses organismos desapareçam antes mesmo de serem conhecidos pela ciência.