Conheça os cocolitóforos: Organismos quase invisíveis que ajudam oceano a regular o clima global

De tamanho microscópico, os cocolitóforos capturam bilhões de toneladas de CO₂ por ano e ajudam os oceanos a equilibrar o clima. Agora, cientistas querem dar visibilidade a esses plânctons microscópicos.

Microscópicos, os cocolitóforos são algas unicelulares quase invisíveis a olho nu, mas com um papel vital na regulação do clima da Terra. Eles habitam as camadas superficiais iluminadas dos oceanos, onde, além de liberar oxigênio, capturam dióxido de carbono da água do mar e produzem delicadas placas de calcita. Ao afundarem, essas estruturas ajudam a armazenar carbono nos sedimentos oceânicos profundos por milhares de anos, funcionando como uma espécie de “arquivo climático” natural.

Raio de sol atravessando as águas do oceano, iluminando o ambiente submarino onde vivem os cocolitóforos.
A luz solar que penetra no oceano é essencial para os cocolitóforos, algas microscópicas que capturam carbono e ajudam a regular o clima da Terra. Foto: Canva Pro.

Reconhecendo a importância desses organismos pouco conhecidos, cinco instituições europeias uniram esforços para criar o Dia Internacional do Coccolitóforo, celebrado em 10 de outubro. A proposta é ampliar a conscientização sobre o impacto que esses plânctons têm, não apenas na saúde dos oceanos, mas no equilíbrio climático global.

Estudos recentes mostram que os cocolitóforos produzem mais de 1,5 bilhão de toneladas de carbonato de cálcio por ano, contribuindo significativamente para o sequestro natural de carbono. Para entender melhor o impacto desses organismos no clima global, pesquisadores do Reino Unido, Noruega, Croácia, Portugal e da Associação Internacional de Nannoplâncton investigam como eles interagem com bactérias, vírus e predadores, além dos efeitos das mudanças na química e na temperatura dos oceanos. O objetivo é prever como os cocolitóforos vão reagir às transformações ambientais em curso e o quanto poderão continuar sustentando os ciclos de carbono marinhos no futuro.

Para a Dra. Sarah Cryer, do projeto CHALKY, o reconhecimento é urgente. “Isso pode mudar a forma como vemos o oceano. Normalmente falamos de baleias, recifes de corais e calotas polares, mas os cocolitóforos são parte vital do sistema climático do planeta. Eles nos lembram que os menores organismos podem causar os maiores impactos.” A campanha pela oficialização do dia 10 de outubro como data comemorativa busca estimular o engajamento público, inspirar políticas ambientais mais informadas e fortalecer a alfabetização científica sobre a vida marinha.

Imagem ampliada de um coccolitóforo, alga oceânica de uma só célula que produz delicadas placas de cálcio — estruturas fundamentais para o ciclo do carbono no planeta.
Visão microscópica de um coccolitóforo (Syracosphaera pulchra), alga oceânica unicelular. Foto: Dr. Jelena Godrijan, Ruđer Bošković Institute

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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