Derretimento do Ártico tem desaceleração inédita, mas alívio deve ser passageiro

Estudo mostra que derretimento do Ártico caiu 60% em duas décadas, mas a tendência é temporária e deve ser seguida por degelo acelerado.

O derretimento do Ártico apresentou uma desaceleração inesperada nos últimos 20 anos: a taxa de perda de gelo marinho caiu cerca de 60% em relação ao padrão histórico. A constatação é de cientistas das universidades de Exeter (Reino Unido) e Columbia (EUA), em estudo publicado na Geophysical Research Letters.

Segundo os autores, trata-se do ritmo mais lento desde o início dos registros por satélite, em 1979. O fenômeno, porém, não representa uma reversão da crise climática, mas um respiro temporário associado a variações naturais no sistema climático.

A análise se concentrou em setembro, mês em que a cobertura de gelo marinho no Ártico atinge seu mínimo anual. Entre 2005 e 2024, a região perdeu de 0,29 a 0,35 milhões de km² por década, contra a taxa de longo prazo de cerca de 0,78 milhões de km², que torna a desaceleração em torno de 55% a 63%.

Fenômeno semelhante ocorreu no volume de gelo, cuja perda caiu sete vezes em relação ao padrão histórico. A tendência foi observada em todos os meses do ano, não apenas no verão.

Urso-polar sobre placas de gelo derretido no Ártico, cenário agravado pelo aquecimento global.
A redução do gelo marinho ameaça espécies como o urso-polar. Foto: Canva.

Os pesquisadores estimam que a pausa no derretimento do gelo no Ártico pode durar de cinco a dez anos, mas será seguida por um degelo acelerado, potencialmente mais rápido do que a média registrada até agora. Modelos climáticos sugerem que o próximo período de retração poderá alcançar 0,6 milhões de km² por década.

Ainda assim, o alerta permanece: hoje, a extensão do gelo de verão no Ártico está ao menos 33% menor do que há meio século, fator que aponta o aquecimento global como a principal ameaça ao futuro da região e à estabilidade climática do planeta.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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