Queimadas no Brasil têm menor área em julho dos últimos sete anos, aponta MapBiomas

Monitor do Fogo do MapBiomas aponta redução de 40% de queimadas no Brasil em julho, mas alerta para vulnerabilidade do Cerrado, que correspondeu a 76% da área atingida.

O Brasil registrou em julho de 2025 a menor área de queimadas no Brasil em pelo menos sete anos, desde o início do Monitor do Fogo do MapBiomas. Foram 748 mil hectares atingidos pelo fogo, o que representa uma redução de 40% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar do recuo, o Cerrado segue como o bioma mais impactado, respondendo por 76% da área queimada no mês e metade de toda a área destruída pelo fogo no país ao longo deste ano.

De acordo com o levantamento, cerca de 571 mil hectares foram queimados apenas no Cerrado em julho. A Amazônia registrou 143 mil hectares, seguida pela Mata Atlântica (24,4 mil ha), Caatinga (6,8 mil ha), Pantanal (1.272 ha) e Pampa (1.277 ha). A maior parte dos incêndios atingiu vegetação nativa (76%), com destaque para formações savânicas, que representaram 36% da área queimada. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens responderam por 14%.

Bombeiros combatendo queimadas no Brasil em área de vegetação do Cerrado durante a estação seca.
Bombeiros atuam no combate às queimadas na região do Cerrado, área que concentrou 76% da área queimada em julho no país. Foto: Breno Esaki/Metrópoles.

Tocantins foi o estado com maior extensão de fogo, com 203 mil hectares, seguido por Mato Grosso (126 mil ha) e Maranhão (121 mil ha). No acumulado de 2025, o país soma cerca de 2,45 milhões de hectares queimados, uma queda de 59% em comparação ao ano anterior. Os dados reforçam que, embora haja redução nas queimadas no Brasil, o problema ainda exige atenção.

Segundo a coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, o início da estação seca no Cerrado é o período mais crítico, já que o acúmulo de material combustível seco aumenta o risco de grandes incêndios. Ela ressalta que a prevenção deve ser intensificada, uma vez que as principais fontes de ignição são humanas.

Sobre a redução registrada em julho, Arruda destacou que ainda é cedo para afirmar se a queda representa uma tendência. A especialista aponta fatores como chuvas pontuais em regiões da Amazônia, maior fiscalização em áreas críticas e até um uso mais cauteloso do fogo após prejuízos recentes.

Vista aérea de grande área queimada no Brasil, com solo escurecido e fumaça após incêndios florestais.
Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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