Brasil propõe criação de fundo global na COP29 para acelerar a transição energética

Iniciativa visa financiar a transição energética com recursos do petróleo e promover uma mudança sustentável na matriz global

O Brasil se prepara para apresentar uma proposta ambiciosa durante a COP29, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada no Azerbaijão. O país prevê proporcionar a criação de um fundo global para financiar a transição energética, visando apoiar o desenvolvimento de energias limpas e renováveis. A informação foi confirmada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante a reunião ministerial do G20, em Foz do Iguaçu, que discute o futuro da transição energética mundial.

De acordo com o ministro, o financiamento dessa transição energética deve vir do setor petrolífero. Na visão dele, a economia verde precisa de recursos e, enquanto houver demanda por petróleo, deve-se utilizá-lo para viabilizar essa mudança. A proposta visa garantir uma transição justa e inclusiva, onde as fontes renováveis de energia, como eólica, solar e biomassa, ocupem cada vez mais espaço na matriz energética global.

Transição energética

Com isso, Silveira acredita que o movimento em direção às energias limpas não se trata apenas de uma questão ambiental, mas também econômica. Ele destacou que a economia verde e o uso de combustíveis renováveis representam a nova ordem mundial.

“Enquanto não avançarmos de forma global, se não houver governança e mecanismos de medição, não haverá transição energética.”

destacou o ministro.

O Brasil está em uma posição privilegiada por ter vastas reservas de petróleo e uma matriz energética que já é majoritariamente renovável. No entanto, Alexandre Silveira avaliou que é necessário modernizar a infraestrutura para garantir a integração das energias renováveis ao sistema.

Já, a intermitência das energias eólica e solar, que dependem de fatores como vento e sol, foi apontada como um dos principais desafios a serem superados. Para garantir a estabilidade do sistema, o ministro mencionou a necessidade de investir em tecnologia e infraestrutura, de forma a mitigar os efeitos dessa variação.

O papel do petróleo na transição

Apesar do foco nas energias renováveis, o ministro defendeu que o Brasil não deve abrir mão de suas reservas de petróleo enquanto houver demanda global pelo recurso.

“O petróleo ainda é uma riqueza natural que precisa ser explorada de forma responsável. Ele pode ser o motor financeiro para essa transição, garantindo o desenvolvimento econômico e social do país.”

reforçou Silveira.

A proposta brasileira de financiar a transição energética com recursos do petróleo já ganhou apoio dentro e fora do país. Enio Verri, diretor-presidente da Itaipu Binacional, também se pronunciou a favor dessa estratégia durante o evento do G20 dizendo que a transição energética precisa ser financiada. O petróleo tem um papel fundamental nesse processo e que não se pode ignorar essa realidade.

A região da margem equatorial, na Foz do Amazonas onde o Brasil possivelmente explorará petróleo nos próximos anos
A região da margem equatorial, na Foz do Amazonas onde o Brasil possivelmente explorará petróleo nos próximos anos

Outro ponto destacado pelo ministro foi a necessidade de cooperação internacional para o sucesso da transição energética. Silveira enfatizou que o Brasil não pode avançar sozinho. Além disso, ele defendeu ainda que os países precisam estabelecer uma governança global clara, com mecanismos que garantam o cumprimento das metas de redução de emissões de carbono.

Para o Brasil, a COP29 será uma oportunidade crucial para fortalecer seu papel como líder no debate sobre energias renováveis. O país, que já é um dos maiores produtores de energia limpa do mundo, busca agora consolidar sua posição como um protagonista na construção de um futuro energético sustentável.

https://brasilamazoniaagora.com.br/2024/marina-silva-foz-do-amazonas-3/
Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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