Porque salvar os microrganismos pode ser a estratégia mais importante de preservação ambiental

Cruciais para fertilidade, clima e saúde, os microrganismos ganham atenção internacional com o lançamento de um roteiro global de proteção ambiental.

Os microrganismos são a base invisível da vida na Terra, eles são fundamentais para a fertilidade do solo, o equilíbrio climático, a saúde humana e a produtividade dos oceanos. Ainda assim, permanecem ausentes das políticas globais de conservação. Em resposta a esse vácuo, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) oficializou em julho de 2025 a criação do Microbial Conservation Specialist Group (MCSG), um grupo internacional dedicado exclusivamente à proteção da vida microbiana.

Liderado pelo professor Jack Gilbert (Applied Microbiology International) e pela pesquisadora Raquel Peixoto (KAUST), o grupo une especialistas de mais de 30 países e acaba de lançar o primeiro roteiro global de conservação microbiana. O plano, publicado na revista Sustainable Microbiology, propõe um novo olhar sobre a conservação. Em vez de focar apenas em espécies visíveis, como animais e plantas, o documento se volta à preservação das complexas redes microbianas que sustentam todos os ecossistemas.

Raízes expostas em solo fértil, com partículas orgânicas visíveis e presença implícita de microrganismos.
Microrganismos do solo formam redes invisíveis que sustentam a fertilidade, o sequestro de carbono e a saúde das plantas, pilares cruciais dos ecossistemas. Foto: Blog Verde

Entre os objetivos da iniciativa, estão o desenvolvimento de métricas compatíveis com a Lista Vermelha da IUCN para comunidades microbianas, a criação de mapas globais de hotspots, o fortalecimento de biobancos e a promoção de soluções baseadas em microrganismos, como probióticos para corais e restauração do carbono no solo.

“Esta é a primeira coalizão global dedicada a salvaguardar a biodiversidade microbiana, para garantir que os microrganismos sejam reconhecidos como essenciais aos sistemas ecológicos, climáticos e de saúde do planeta”, afirma o professor Jack Gilbert.

O grupo também alerta para desafios científicos e éticos, desde definir o que é uma “espécie microbiana” até lidar com amostras sensíveis, como aquelas ligadas a povos indígenas ou microbiotas humanas. Para enfrentá-los, o MCSG aposta em ferramentas de inteligência artificial, gêmeos digitais e abordagens colaborativas com saberes tradicionais. Até 2030, o objetivo é garantir que os microrganismos estejam inseridos nas metas globais de biodiversidade e nas políticas nacionais de clima e saúde.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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