Congresso derruba 56 dos 63 vetos presidenciais à Lei de Licenciamento Ambiental

Com nova lei do licenciamento ambiental, Congresso amplia a autonomia de empreendimentos e flexibiliza aprovação de projetos em áreas sensíveis.

O Congresso Nacional derrubou 56 dos 63 vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, incluindo o retorno da licença autodeclaratória (LAC), que simplifica o licenciamento para empreendimentos de médio porte. A decisão amplia a autonomia de empresas e reduz o papel do governo federal em questões sensíveis como a conservação da Mata Atlântica e da Amazônia, licenças em áreas indígenas e projetos em terras quilombolas.

O governo Lula considerou a medida um risco à proteção ambiental e cogita judicializar o tema.

Ao sancionar a nova lei do licenciamento ambiental, Lula havia vetado 63 trechos com base em riscos constitucionais e ambientais. No entanto, a maioria foi retomada pelo Congresso com apoio da bancada ruralista e de grupos ligados ao setor produtivo.

A votação foi expressiva: 295 votos a 167 na Câmara e 52 a 15 no Senado. Parte dos vetos foi analisada em bloco, enquanto outros foram votados separadamente, com destaques de partidos da oposição, como PT e PSOL.

Manifestantes ocupam a Avenida Paulista com faixa gigante contra o PL do licenciamento ambiental.
Protesto em São Paulo denuncia os retrocessos socioambientais da nova lei de licenciamento ambiental. Foto: Folha de S. Paulo.

Licença autodeclaratória (LAC) 

A LAC havia sido vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por risco de facilitar a aprovação de projetos com potencial impacto ambiental, como barragens de rejeitos.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, “a eventual derrubada dos vetos pode trazer efeitos imediatos e de difícil reversão, especialmente em um momento em que a sociedade sente os efeitos dos desastres de Mariana e Brumadinho e de catástrofes climáticas como as recentemente vividas no Paraná e no Rio Grande do Sul”.

Mata Atlântica e CAR

Entre os pontos retomados estão também a exclusão do Ibama na avaliação de impactos em áreas de Mata Atlântica e a dispensa de licenciamento para atividades agropecuárias em propriedades com inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda não homologada. O Executivo argumentou que esses trechos poderiam provocar “destruição gradual” do bioma e conferir “aparência de legalidade a uma situação irregular”.

Área desmatada com vegetação nativa suprimida para empreendimento rural, ilustrando os impactos do licenciamento ambiental flexibilizado.
Nova regra de licenciamento ambiental pode facilitar a devastação florestal em áreas sensíveis. Foto: Bruno Kelly / Amazônia Real

Terras indígenas e quilombolas 

Também foram restauradas normas que restringem a consulta a comunidades indígenas e quilombolas afetadas por empreendimentos, limitando-a a situações em que já houve decreto de homologação de suas terras. Para o Executivo, a medida representa um retrocesso, pois desconsidera que muitas dessas áreas ainda estão em fase inicial de regularização.

Licença Ambiental Especial (LAE)

Por outro lado, os vetos à Licença Ambiental Especial (LAE), que permitiria o licenciamento em fase única de projetos considerados estratégicos, foram adiados. O governo propôs, via medida provisória, uma versão da LAE que mantém o licenciamento trifásico — com etapas de viabilidade, instalação e operação — para evitar “esvaziamento da função protetiva do licenciamento ambiental”.

A proposta original da LAE, apresentada por emenda do senador Davi Alcolumbre (União-AP), visava destravar projetos como a exploração de petróleo na Margem Equatorial do Amazonas. 

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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