O Agro também precisa da floresta: lições dos vetos ao PL da devastação

Organizações da sociedade civil promoveram abaixo-assinados, alguns com mais de 1 milhão de assinaturas, pressionando pelo veto integral da proposta, que chegou a ser apelidada de “PL da Devastação”

Contexto Legislativo e Pressões Sociais

Em 8 de agosto de 2025, o presidente Lula sancionou o PL da Nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, mas vetou 63 dos quase 400 dispositivos — uma ação adotada após intensa mobilização de técnicos do MMA, ambientalistas e setores sociais, para evitar retrocessos ambientais. Organizações da sociedade civil promoveram abaixo-assinados, alguns com mais de 1 milhão de assinaturas, pressionando pelo veto integral da proposta, que chegou a ser apelidada de “PL da Devastação”.

O Papel Simbólico da COP-30 na Amazônia

Nesse mesmo período, o Brasil sediou a Conferência das Partes (COP 30) em plena Amazônia — um gesto simbólico e pedagógico, que reforçou a urgência de políticas ambientais robustas e sustentáveis. A realização da conferência no bioma torna emblemático o debate sobre desenvolvimento sustentável e a caminhabilidade da legislação ambiental.

Impactos do Desmatamento: Quando o Agronegócio se Torna Vítima

A despeito da expansão do agronegócio, o desmatamento continua sendo o maior gerador de crises climáticas e hídricas:

⁠A agropecuária respondeu por 95,7% do desmatamento na Amazônia em 2024; globalmente, esse setor é responsável por 75% das emissões no Brasil

Estudos mostram que a evapotranspiração da floresta amazônica contribui com 30% a 50% das chuvas na região, e sua degradação pode reduzir em 25% o volume de chuva no país, afetando agricultura, geração de energia e equilíbrio climático.

Uma tese premiada da UFMG destaca que, em áreas onde até 60% da cobertura florestal foi substituída por agropecuária, a chuva anual caiu pela metade, com prejuízos estimados em até US$ 1 bilhão por ano para os setores de soja e carne.

A transição provocada pelo aquecimento global já reduziu a produtividade agrícola global em cerca de 21% desde 1961 — com impactos acima de 30–33% em regiões tropicais como a América Latina.

Esses dados deixam claro: a destruição ambiental não só compromete comunidades e ecossistemas, mas também mina a própria base produtiva da agricultura.

Ação e Discurso da Ministra Marina Silva

A ministra Marina Silva liderou os vetos com fundamentos técnicos, enfatizando que não bastava vetar o texto — era necessário substituir os trechos eliminados por instrumentos protetivos eficazes. Isso demonstra seu comprometimento com uma transição equilibrada entre desenvolvimento e proteção socioambiental.

O Conselho da República e a Educação Socioambiental

É imperativo que o Conselho da República (órgão consultivo com representação federal), chegue politicamente a priorizar campanhas de conscientização climática e educacional, fortalecendo:

  • •⁠ ⁠Projetos pedagógicos focados no ciclo da água e na hidrologia amazônica.
  • •⁠ ⁠Ações integradas com escolas, universidades e comunidades tradicionais.
  • •⁠ ⁠Programas de comunicação sobre a interdependência entre floresta em pé, agricultura sustentável e estabilidade climática.

A COP-30 e os vetos representam oportunidades educativas e simbólicas cuja força pode ser multiplicada por uma mobilização institucional e social contínua.

Os recentes vetos — articulados por Marina Silva — são um alívio, mas não bastam. Eles precisam vir acompanhados de ações educativas e mobilização política para reverter a lógica destrutiva e imprimir uma nova consciência climática. O agronegócio, tão pressionado pelas mudanças climáticas e pela escassez de água, tem tudo a ganhar com uma Amazônia preservada.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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